Sorgo avança como matéria-prima alternativa nas usinas de etanol de milho

Crédito: Embrapa

O cultivo do sorgo está crescendo em todas as regiões do Brasil, em particular no Centro-Oeste, devido ao potencial do cereal como matéria-prima alternativa para as usinas de etanol de milho.

A área de sorgo no Brasil deverá aumentar 10% na safra 2025/26, para 1,796 milhão de hectares, depois de já ter crescido 12% na temporada 2024/25 em relação à anterior. Em um período de duas safras, a área de plantio do cereal deverá ter um incremento de mais de 300 mil hectares, de acordo com os últimos dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab).

O sorgo é uma cultura já usada para alimentação humana e animal e, em alguns países, para a produção de etanol, como nos Estados Unidos. Uma de suas características é ser mais resistente ao estresse hídrico do que o milho.

Nas indústrias do biocombustível, o rendimento do sorgo é igual ao do milho para a produção de etanol e de DDG (grãos secos de destilaria). A única desvantagem é a incapacidade de extrair óleo do sorgo. Até então havia poucos compradores de sorgo no país, segundo Frederico Botelho, pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

Entre os atrativos do sorgo para o produtor rural está a perspectiva de rentabilidade bem maior do que a obtida com o milho.

De acordo com reportagem do “Valor” e “Globo Rural”, assinada por Camila Souza Ramos, o custo de produção do sorgo em áreas de sequeiro está em torno de R$ 3 mil o hectare, subindo para pouco mais de R$ 3,5 mil o hectare no caso de áreas irrigadas. Já o custo de produção de milho gira hoje entre R$ 7 mil e R$ 8 mil o hectare.

Segundo Botelho, da Embrapa, o sorgo tem potencial mesmo em regiões com maiores índices pluviométricos, mas onde o milho sofre com mais pragas. “No Paraná, há alta incidência da cigarrinha do milho, que causa enfezamento e provoca grandes prejuízos. Já a cigarrinha não acomete o sorgo com enfezamento, e não tem redução de produtividade por isso”, explica.

Fonte: Valor_Globo Rural