
A Petrobras reduzirá a partir desta terça-feira, (27), os preços de venda de gasolina para as distribuidoras em 5,2%, totalizando uma queda de R$ 0,14 por litro. O corte, no entanto, não deve chegar aos motoristas, já que o alto preço do etanol anidro, que compõe 30% da gasolina comercializada nos postos, segue pressionando os custos do combustível, diz nota do “Diário do Comércio”.
A projeção é do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro). Segundo a entidade, ao considerar a mistura obrigatória de 30% de etanol anidro, o impacto final da medida na bomba é limitado e deve ficar em apenas R$ 0,09 por litro.
Desde o início de 2026, o combustível derivado da cana-de-açúcar subiu R$ 0,19 nas usinas produtoras, sendo responsável, atualmente, por R$ 1,06 do preço final da gasolina. Em nota, o Minaspetro destaca que “o aumento em três pontos percentuais de anidro na da gasolina, em agosto do ano passado, tem claros benefícios ambientais, no entanto, causa uma consequência comercial, com os reajustes da estatal tendo cada vez menos influência no valor de bomba”.
Ao anunciar o recuo no preço da gasolina, a Petrobras ressalta que, desde dezembro de 2022, os preços para as distribuidoras foram reduzidos em R$ 0,50 por litro. Considerando a inflação do período, a estatal afirma que a redução já soma 26,9%.
Vale lembrar que o mercado de combustíveis em Minas Gerais fechou 2025 sob pressão, com altas expressivas nos preços, especialmente no etanol. Em 12 meses, o biocombustível acumulou alta de 9,79% nas bombas, passando de R$ 4,19 para R$ 4,60, o que apertou o orçamento do consumidor e reduziu a competitividade frente à gasolina.
A avaliação do mercado é que a alta acentuada do etanol se explica sobretudo por uma restrição de oferta, causada pela menor safra de cana-de-açúcar, afetada por condições climáticas adversas e pelas queimadas registradas ainda em 2024.
Reajuste do ICMS sobre combustíveis já está em vigor e impacta gasolina
Desde o início de 2026, o setor também enfrenta consequências do reajuste do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços (ICMS) sobre combustíveis. No preço da gasolina, os novos valores fixos a serem praticados pelas distribuidoras passaram por aumento de R$ 0,10 por litro, passando de R$ 1,47 para R$ 1,57, um acréscimo de 6,8%.
Recentemente, o Minaspetro se manifestou contra a medida e apresentou propostas que, segundo a entidade, podem contribuir para reduzir o preço dos combustíveis ao longo do ano. Dentre as sugestões, estão a correção volumétrica por temperatura e o autoabastecimento. Outras propostas também mencionam a regulação dos contratos entre distribuidoras e postos, além da redução da alta carga tributária e o combate ao roubo de carga.
Fonte: Diário do Comércio