Produção de biodiesel sobe 9,8% em janeiro

DE OLHO NO BIODIESEL BOLETIM SEMANAL DE MERCADO DA SCA BRASIL 21 a 27/02/2026

A produção de biodiesel no Brasil somou 708,1 mil m³ em janeiro, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), representando queda mensal de cerca de 16% frente a dezembro, mas ainda alta de 9,8% na comparação anual. Apesar da retração mensal, o nível de atividade seguiu relativamente elevado, com utilização de cerca de 55% da capacidade instalada, e crescimento puxado principalmente pelo Centro-Oeste, com destaque para Mato Grosso.

O cenário ainda reflete margens pressionadas e menor demanda no início do ano, mas a expectativa é de recuperação ao longo dos próximos meses, impulsionada pela sazonalidade do consumo de diesel e pelo efeito do B15.

A colheita da safra 2025-2026 de soja no Brasil avançou para 30% da área cultivada, acelerando em relação à semana anterior (21%), impulsionada principalmente por condições climáticas mais favoráveis no Centro-Oeste. Apesar desse progresso, o ritmo segue atrasado em comparação ao mesmo período do ano passado (39%), refletindo fatores como plantio tardio, ciclo mais longo das lavouras e chuvas durante a colheita.

No Rio Grande do Sul, as precipitações recentes ajudaram mas foram irregulares, mantendo parte das áreas com baixa umidade do solo e elevando o risco de perdas, já que muitas lavouras ainda estão em fase de enchimento de grãos e dependem de novas chuvas.

No mercado de óleos vegetais, o óleo de palma apresentou comportamento mais fraco ao longo da semana, alternando estabilidade e quedas, pressionado por exportações menores da Malásia em fevereiro, estoques elevados e fortalecimento da moeda malaia. Embora tenha acompanhado pontualmente a alta dos óleos concorrentes em Chicago, os fundamentos seguem limitando recuperações mais expressivas.

Adicionalmente, o aumento da produção na Colômbia e a expectativa de crescimento adicional em 2025-2026 reforçam um balanço mais confortável para a commodity, reduzindo o espaço para movimentos sustentados de alta no curto prazo.

Já o óleo de soja encerrou a semana em forte recuperação, impulsionado principalmente por rumores de que a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos, a EPA, deve exigir a compensação de pelo menos 50% das isenções concedidas às pequenas refinarias, o que devolveria parte da demanda ao mercado de biocombustíveis. A possibilidade de realocação das metas elevou os preços acima de US¢ 60/lb e levou os RINs D4 ao maior nível desde 2023, fortalecendo as margens das biorrefinarias e sustentando o viés altista. Ao longo da semana, no entanto, o mercado também reagiu a anúncios considerados “anticlimáticos” da EPA, já que não trouxeram definições concretas, limitando parte do impulso e gerando momentos de realização de lucros.

Além do fator regulatório, o mercado foi influenciado por movimentações no comércio internacional. Rumores de novas compras de soja americana pela China sustentaram o complexo em Chicago, reforçando expectativas de balanço mais apertado nos EUA. Já na América do Sul, o cenário foi distinto: o basis em Paranaguá atingiu o menor nível desde 2023, pressionado pela ampla oferta doméstica durante a colheita, favorecendo as exportações brasileiras. No acumulado do primeiro bimestre, os embarques cresceram significativamente frente ao ano anterior, movimento que pode perder força adiante caso a demanda interna por biodiesel avance.

O contrato de maio/2026 do óleo de soja negociado na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês) encerrou em 61,85 cents/libra na sexta-feira (27/02), apresentando valorização de 4,30% na semana. No mercado doméstico, o prêmio de abril/2026 do óleo de soja FOB Paranaguá caiu fortemente, compensando grande parte da subida no mercado internacional, fechando a semana em -12,00 cents/lb. Dessa forma, o flat price do óleo de soja FOB Paranaguá fechou em US$ 1.099,01/ton, valorização de 0,30% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

O mercado spot apresentou uma semana com alguma liquidez, apesar do mercado estar envolvido nas negociações para os contratos do segundo bimestre do ano, e no levantamento realizado pela SCA Brasil, foi apurado um volume de 3.763 m³. O preço médio foi de R$ 5.380/m³, com PIS/COFINS e sem ICMS, um aumento de 4% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

Entidades do setor de combustíveis e frentes parlamentares divulgaram manifesto em defesa da atuação da ANP, destacando a importância da independência técnica da agência diante de pressões políticas relacionadas à interdição da Refinaria de Manguinhos (Refit). O posicionamento reforça que a medida, baseada em riscos graves à segurança e ao meio ambiente, deve ser preservada pelo Judiciário, especialmente diante de tentativas da empresa de reverter a decisão por meio de liminares. As entidades argumentam que a atuação firme da ANP é essencial para garantir a fiscalização adequada, a segurança operacional, o cumprimento das normas e um ambiente concorrencial mais ético no setor de combustíveis.

Segundo o levantamento realizado entre 16/02 e 22/02 pela ANP, o preço médio do biodiesel negociado entre usinas e distribuidores ficou em R$ 5.581,95, valorização de 0,18% em relação ao valor médio da semana anterior. A região Centro-Oeste apresentou a maior valorização com 1,39% e a região Norte apresentou a maior desvalorização com 0,99%. O mercado acumula uma redução de 5,75% no ano.

Elaboração: SCA Brasil