Produção de biodiesel no Brasil bate recorde em 2025

DE OLHO NO BIODIESEL BOLETIM SEMANAL DE MERCADO DA SCA BRASIL 19 a 23/01/2026

A produção de biodiesel no Brasil somou 848,2 mil m³ em dezembro, queda de 2,2% em relação ao mês anterior mas ainda 20,8% acima do mesmo mês em 2024. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram também que o resultado acumulado de 2025 representou um recorde de 9,83 milhões de m³, alta de 8,7% na comparação com o ano anterior. O desempenho reflete a combinação do crescimento da demanda por Diesel B, impulsionada pela recuperação da atividade agrícola, industrial e de serviços, e pela introdução do B15 em agosto, que elevou o consumo de biodiesel no segundo semestre.

No mercado da soja, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) estimou que o esmagamento de soja no Brasil deve atingir 61 milhões de toneladas em 2026, crescimento de 4,3% em relação a 2025 e o sétimo recorde anual consecutivo para o setor, impulsionado pela maior oferta de soja e pela manutenção dos investimentos industriais. Esse volume representaria cerca de 34% da safra nacional, com utilização aproximada de 80% da capacidade instalada, em um parque industrial composto por 149 unidades com capacidade total superior a 76 milhões de toneladas.

Com o maior processamento, a produção deverá alcançar 47 milhões de toneladas de farelo e 12,2 milhões de toneladas de óleo de soja, assegurando abastecimento doméstico confortável. A demanda interna de óleo é projetada em 10,8 milhões de toneladas, enquanto as exportações devem subir para 1,45 milhão de toneladas, levando a um aumento significativo dos estoques finais, que podem encerrar o ano em 533 mil toneladas, refletindo um crescimento da oferta superior ao ritmo de consumo.

Segundo a AgRural, a colheita da soja no Brasil alcançou 2% da área plantada na safra 2025-2026, avanço significativo frente aos 0,6% da semana anterior e acima do ritmo observado no mesmo período da safra passada. Mato Grosso lidera os trabalhos, favorecido por aberturas de sol entre as chuvas, enquanto o Paraná registra atraso devido ao alongamento do ciclo causado por períodos mais frios e nublados. Ainda assim, as produtividades iniciais são consideradas muito boas e reforçam a expectativa de uma safra cheia, apesar da necessidade de monitoramento das chuvas irregulares no Rio Grande do Sul e no Matopiba.

No mercado dos óleos vegetais, o óleo de palma apresentou valorização relevante na semana, alcançando os maiores níveis em três meses, apoiado por preocupações com a oferta no Sudeste Asiático e por sinais de demanda mais firme. Na Indonésia, a revogação de licenças ambientais de empresas — incluindo possíveis produtores de palma — elevou a apreensão quanto à produção em 2026, enquanto na Malásia os dados indicaram queda significativa da produção em janeiro e forte aceleração das exportações, especialmente para Índia e União Europeia. Esse conjunto de fatores reforçou a expectativa de redução dos estoques malaios no início do ano, sustentando os preços mesmo diante de movimentos cambiais e de realização de lucros.

Da mesma forma, o óleo de soja registrou valorização ao longo da semana na Bolsa de Chicago (CBOT, na sigla em inglês), atingindo os maiores níveis desde o fim de agosto de 2025, sustentado principalmente pelo aumento do otimismo em torno da definição das metas de renováveis (RVOs) pela Environmental Protection Agency (EPA), a agência de proteção ambiental dos Estados Unidos. O fortalecimento do heating oil, que alcançou máximas desde novembro, e a expressiva alta dos créditos RINs D4 — que já acumulam avanço superior a 20% no ano — reforçaram a percepção de um ambiente mais favorável para o setor de biocombustíveis, oferecendo suporte adicional aos preços do óleo de soja.

Apesar do viés positivo, o mercado segue sensível a riscos de frustração, uma vez que movimentos recentes ainda dependem fortemente de expectativas e rumores sobre decisões regulatórias, como ocorreu em 2025. Ainda assim, a proximidade de uma definição oficial da EPA e o cenário mais construtivo para 2026 diferenciam o momento atual, contribuindo para uma sustentação mais consistente das cotações, mesmo em sessões pontuais de realização de lucros e menor liquidez.

O contrato de março/2026 do óleo de soja negociado na CBOT encerrou em 53,99 cents/libra na sexta-feira (23/01), apresentando valorização de 2,62% na semana.No entanto, o prêmio de março/2025 do óleo de soja em FOB Paranaguá compensou a valorização do mercado externo e caiu 140 pontos, fechando a semana em -2,20 cents/libra. Dessa forma, o flat price do óleo de soja FOB Paranaguá fechou em US$ 1.141,77/ton, desvalorização de 0,04% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

O mercado spot apresentou nova semana de baixa liquidez e no levantamento realizado pela SCA Brasil, foi apurado um volume de 740 m³. O preço médio foi de R$ 5.555/m³, com PIS/COFINS e sem ICMS, com uma valorização de 6% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

O setor de biodiesel voltou ao centro do debate regulatório com a discussão sobre a possível abertura do mercado brasileiro para importações, dividindo a cadeia produtiva e entidades do setor de combustíveis. De um lado, associações ligadas à distribuição, importação e revenda defendem que permitir a entrada de até 20% de biodiesel importado ampliaria a concorrência, aumentaria a eficiência na formação de preços do diesel B e reduziria riscos ligados à sazonalidade de matérias-primas, eventos climáticos e gargalos logísticos, além de reforçar a segurança de suprimento.

Por outro lado, fabricantes nacionais de biodiesel, entidades do agronegócio e a Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio) se posicionam contra a abertura, argumentando que a medida pode desregular o mercado, comprometer a previsibilidade regulatória e desestimular investimentos, especialmente em um setor que opera com ociosidade próxima a 50% e tem capacidade para atender integralmente a demanda interna, mesmo em cenários de aumento do mandato de mistura. As entidades contrárias à importação defendem a manutenção da proibição como forma de preservar a indústria nacional, a segurança jurídica e os compromissos da agenda de transição energética.

Segundo o levantamento realizado entre 05/01 e 11/01 pela ANP, o preço médio do biodiesel negociado entre usinas e distribuidores na primeira semana do mês ficou em R$ 5.672,37, desvalorização de 4,23% em relação ao valor médio da semana anterior. As regiões Centro-Oeste e Nordeste apresentaram as maiores desvalorizações, com 6,57% e 6,04% respectivamente. O mercado acumula uma redução de 4,23% no ano.

Elaboração: SCA Brasil