Preços do petróleo abrem em queda nesta segunda (5)

Plataforma de petróleo – Foto: Divulgação/Petrobras

Os preços do petróleo nos mercados globais abriram em queda nesta segunda-feira (5), refletindo a ação militar dos Estados Unidos, que capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro. O movimento, destaca o “ICL Notícias”, reflete o aumento do risco geopolítico no curto prazo.

Por volta das 9h05 (horário local de Londres, na Inglaterra), o barril do Brent do Mar do Norte para entrega em março recuava 1,12%, a US$ 60,07, enquanto o West Texas Intermediate (WTI), equivalente norte-americano, para fevereiro, caía 1,22%, a US$ 56,62. Em sentido oposto, o ouro à vista avançou mais de 2% ao longo do dia, superando US$ 4.430 por onça-troy, e a prata registrou alta ainda mais intensa, em um típico movimento de busca por proteção diante da incerteza política.

Apesar da ação militar, fontes do setor indicam que a infraestrutura petrolífera venezuelana não sofreu danos relevantes. Ativos estratégicos como o porto de José, a refinaria de Amuay e as áreas da Faixa do Orinoco seguem operando, o que reforça a percepção de que o mercado global de petróleo tem capacidade de absorver o episódio sem grandes rupturas. A Venezuela responde atualmente por menos de 1% da oferta mundial de petróleo, apesar de deter as maiores reservas comprovadas do planeta.

Ações de petrolíferas estadunidenses sobem

Nos mercados acionários, o sentimento foi mais positivo. As bolsas asiáticas abriram em alta, com investidores avaliando que o impacto econômico do evento tende a ser restrito. Em Nova York, ações de grandes petrolíferas estadunidenses avançaram nas negociações pré-mercado, impulsionadas pela sinalização do presidente Donald Trump de que os Estados Unidos pretendem “administrar” a Venezuela e participar da reconstrução de sua infraestrutura energética. Papéis da Chevron, ConocoPhillips e Exxon Mobil lideraram os ganhos.

Analistas destacam que, embora o aumento do prêmio de risco possa gerar volatilidade no curto prazo, um choque estrutural no petróleo dependeria de anos de investimentos e de um ambiente regulatório estável. A cautela das empresas reflete o histórico de nacionalizações e disputas judiciais no país, além das incertezas sobre a transição política.

No campo diplomático, a presidente interina venezuelana, Delcy Rodríguez, adotou um tom mais conciliador e pediu cooperação com Washington.

Trump, por sua vez, afirmou que os EUA terão controle sobre a produção de petróleo venezuelana durante um período de transição, prometendo devolver o poder após a estabilização institucional.

Para o mercado, porém, o consenso é de que os efeitos mais relevantes ainda estão no horizonte — e não no preço imediato do petróleo.

Fonte: ICL Notícias