Petróleo em baixa e oferta global derrubam mercado de açúcar nessa segunda-feira

O mercado global de açúcar iniciou a semana sob forte pressão. Após ensaiar uma recuperação ao longo do pregão, os contratos internacionais encerraram a segunda-feira em queda, impactados principalmente pela forte desvalorização do petróleo, movimento que reacendeu as dúvidas sobre o equilíbrio entre a produção de açúcar e etanol nos principais polos produtores.

Em Nova York, o açúcar bruto fechou em baixa, enquanto Londres também registrou perdas no mercado de açúcar branco. A correção ocorreu após o petróleo WTI recuar cerca de 5%, reduzindo a competitividade do etanol e aumentando a expectativa de que usinas direcionem uma parcela maior da cana para a fabricação de açúcar. A pressão ganhou força com a perspectiva de normalização logística no Oriente Médio. A redução dos riscos no Estreito de Ormuz diminuiu parte do prêmio que vinha sustentando as commodities nas últimas semanas, contribuindo para o movimento de realização de lucros.

Apesar do cenário baixista, os fundamentos de médio prazo continuam oferecendo suporte ao mercado. Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, o déficit de chuvas das monções já preocupa agentes do setor e pode comprometer o desenvolvimento da safra. Ao mesmo tempo, a confirmação de um possível El Niño forte reacende os temores de impactos climáticos sobre importantes regiões produtoras no Brasil, Índia e Tailândia.

Outro fator que mantém os investidores atentos é a revisão do balanço global de oferta e demanda. A consultoria Czarnikow passou a projetar déficit mundial de açúcar na safra 2026/27, revertendo uma expectativa anterior de superávit. A mudança reflete a possibilidade de maior produção de etanol pelas usinas brasileiras, reduzindo a disponibilidade de açúcar para exportação.

O resultado é um mercado dividido entre a pressão de curto prazo exercida pelo petróleo e os riscos climáticos que podem restringir a oferta global nos próximos meses. Para produtores, usinas e investidores, a volatilidade deve continuar no radar.

Fonte: Notícias Agrícolas. Veja a matéria na íntegra aqui.