
Por Caio Aviz
Atualmente, Mato Grosso do Sul vem consolidando seu protagonismo no setor de bioenergia, combinando aumento de produtividade, investimentos sustentáveis e planejamento estratégico. Este conteúdo apresenta uma análise dos dados oficiais, políticas públicas e iniciativas do setor privado que têm fortalecido a posição do estado no cenário nacional dos biocombustíveis, com foco especial no etanol de milho e biometano.
Produção de etanol atinge novo patamar na safra 2024-2025
A safra 2024-2025, encerrada em março de 2025, registrou crescimento relevante na produção de etanol no estado. Segundo a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), foram produzidos 4,2 bilhões de litros de etanol, um aumento de 10% em comparação à safra anterior.
Mesmo com uma redução de 5,1% na moagem da cana-de-açúcar, a produção foi compensada pelo avanço do etanol de milho, que já representa 37% do volume total. Essa diversificação é considerada estratégica para garantir estabilidade diante de oscilações climáticas.
Mato Grosso do Sul ocupa hoje a quarta posição no ranking nacional de produção de etanol. A combinação entre etanol de milho e cana é um diferencial competitivo do estado. O modelo de produção adotado tem permitido ganhos de escala e melhor aproveitamento da biomassa.
Investimentos estruturados ampliam capacidade de produção de energia renovável
Em fevereiro de 2025, a empresa Atvos anunciou investimento de R$ 350 milhões na construção de uma planta de biometano em Nova Alvorada do Sul, com previsão de entrada em operação até o final de 2026. A planta utilizará vinhaça, subproduto da cana, como matéria-prima.
De acordo com a Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul, o projeto tem potencial para gerar energia limpa a partir de resíduos da própria indústria sucroenergética, com ganhos ambientais e econômicos.
O projeto está licenciado e segue normas ambientais e regulatórias vigentes. A usina contribuirá para a redução das emissões de gases de efeito estufa. Estima-se a criação de empregos locais, especialmente durante as fases de instalação.
Cadeia produtiva da bioenergia gera empregos e movimenta a economia regional
De acordo com dados atualizados da Federação das Indústrias de Mato Grosso do Sul (FIEMS), o setor de bioenergia no estado conta com 22 usinas ativas, que empregam diretamente cerca de 30 mil trabalhadores. O setor responde por 17% do PIB industrial estadual, sendo uma das atividades econômicas com maior capilaridade territorial, especialmente em municípios do interior.
A remuneração média do setor está acima da média estadual. A cadeia da cana e do milho movimenta diversos segmentos, como transporte, logística e insumos agrícolas. Aproximadamente 800 mil hectares são dedicados à cana-de-açúcar no estado.
Logística sustentável ganha relevância no escoamento da produção
Durante o Exame Superagro – Especial Biocombustíveis, realizado em 28 de março de 2025, o governador Eduardo Riedel destacou a importância da logística para consolidar a competitividade da bioenergia sul-mato-grossense.
Entre as medidas previstas, destacam-se, por exemplo, a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai, cujo edital está previsto para o segundo semestre de 2025, e, além disso, a reestruturação da malha ferroviária oeste, inativa desde 2015, em articulação com o Governo Federal. Ademais, há avanços na repactuação da concessão da BR-163, com a previsão, portanto, de retomada das obras de duplicação em 2025.
Essas ações visam não apenas melhorar o escoamento, mas também reduzir custos logísticos e impactos ambientais. A intermodalidade se apresenta como solução estratégica para o transporte de etanol, açúcar e biomassa em larga escala.
Políticas públicas e ambiente regulatório estimulam novos projetos
Desde 2022, Mato Grosso do Sul adota a Política Estadual de Incentivo às Energias Renováveis. Por isso, o estado passou a oferecer incentivos fiscais, além de garantir maior agilidade nos processos ambientais e fornecer, ainda, apoio técnico aos interessados.
Segundo a Secretaria da Fazenda (SEFAZ/MS), até março de 2025 já estavam em análise mais de 15 projetos de novas usinas de bioenergia, com foco em etanol, biometano e cogeração de energia.
Além disso, o ambiente regulatório estável tem sido apontado como fator determinante na atração de investidores. Da mesma forma, parcerias com universidades estaduais têm viabilizado a inovação aplicada ao setor. Por fim, há uma forte integração entre as políticas de meio ambiente, indústria e desenvolvimento regional, o que fortalece a articulação institucional.
Mato Grosso do Sul como referência em transição energética responsável
Entre 2022 e 2025, o estado atraiu aproximadamente R$ 5,8 bilhões em investimentos privados no setor de bioenergia, conforme o Banco de Desenvolvimento de MS (Desenvolve/MS). As projeções do governo indicam que até 2030 os investimentos no setor podem ultrapassar R$ 18 bilhões, considerando novos projetos, modernizações e infraestrutura.
De acordo com a Conab, a área de plantio para bioenergia cresce, em média, 10% ao ano. Além disso, a meta estadual é dobrar o uso de biocombustíveis no transporte até 2028. Ao mesmo tempo, o estado tem avançado em certificações ambientais, bem como em práticas ligadas à agenda ESG.
Mato Grosso do Sul não reivindica uma posição de liderança absoluta, mas sim uma contribuição consistente dentro da estratégia nacional de transição energética, valorizando inovação, compromisso ambiental e competitividade no agronegócio.
Fonte: CPG