As tensões no Oriente Médio e os riscos ao transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz reforçaram um tema estratégico para o Brasil: a importância dos biocombustíveis na segurança energética. Embora o cenário internacional tenha elevado a atenção do mercado, especialistas afirmam que o abastecimento nacional permanece garantido e que a elevada participação de etanol e biodiesel reduz significativamente a exposição do país às crises geopolíticas.
A avaliação foi apresentada durante o novo Conexão SCA Brasil, que reuniu o presidente da ABICOM, Sérgio Araújo, o CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono, e o sócio-diretor da SCA Brasil Aliança, Alexandre Menezio.
Segundo Sérgio Araújo, não houve qualquer impacto sobre o abastecimento nacional de combustíveis.
“O Brasil não sofreu impacto no abastecimento. Tivemos importações regulares e o suprimento para julho está garantido, com previsão de chegada de cerca de 1 milhão de metros cúbicos de diesel e 250 mil metros cúbicos de gasolina, volumes suficientes para atender o mercado.”
Para Martinho Ono, no entanto, o maior diferencial brasileiro vai além das importações. Está na força da matriz de biocombustíveis construída nas últimas décadas.
“Se o Brasil não contasse com o etanol hidratado e com os 30% de etanol anidro misturados à gasolina, nossa dependência externa seria muito maior. Da mesma forma, a mistura obrigatória de biodiesel reduz significativamente a necessidade de importação de diesel. Temos uma matriz energética da qual devemos nos orgulhar.”
O executivo lembra que a gasolina depende de importações em torno de 10%, enquanto o diesel ainda exige compras externas equivalentes a 25% a 30% do consumo nacional, tornando-se o principal ponto de vulnerabilidade da matriz energética brasileira.
Martinho Ono destacou que o país já possui capacidade instalada para atender às metas previstas na Lei do Combustível do Futuro.
Atualmente, a produção nacional gira entre 8 bilhões e 9 bilhões de litros de biodiesel por ano, mas pode alcançar de 12 bilhões a 13 bilhões de litros com a evolução gradual da mistura obrigatória.
“Com o avanço das metas, o Brasil reduzirá ainda mais a dependência das importações de diesel, além de gerar ganhos econômicos, ambientais e maior segurança energética.”
Segundo Ono, em diversos momentos recentes, o biodiesel também apresentou preços competitivos em relação ao diesel importado, reforçando sua importância econômica para o país.
Além da produção, o debate destacou que a eficiência logística será cada vez mais determinante para garantir o abastecimento.
Para Alexandre Menezio, sócio-diretor da SCA Brasil Aliança, o maior desafio não é a disponibilidade do combustível, mas a capacidade de levá-lo às diferentes regiões do país.
“Em algumas regiões, o diesel leva de quatro a cinco dias para chegar à propriedade rural após a compra. São operações complexas que exigem planejamento, monitoramento constante dos estoques e inteligência na programação de suprimentos.”
Segundo o executivo, a antecipação das compras e o acompanhamento permanente do mercado tornam-se ferramentas estratégicas para reduzir custos, minimizar riscos e assegurar o abastecimento em um ambiente de elevada volatilidade internacional.
Fonte: RPA News – Veja na íntegra aqui