Maersk testa etanol em navios e abre nova rota para o biocombustível

O etanol pode ganhar um novo e relevante mercado no transporte marítimo internacional. A Maersk realizou testes com misturas de 10%, 50% e até 100% de etanol e identificou que equipamentos de algumas embarcações são capazes de utilizar o biocombustível.

A informação foi apresentada por Danilo Veras, vice-presidente de Políticas Públicas e Regulatórias para a América Latina da Maersk, durante o Folha Energia – Matriz de Oportunidades, realizado em Pernambuco.

Depois de concentrar sua estratégia de descarbonização no metanol, a companhia passou a avaliar o etanol como alternativa para reduzir as emissões da navegação. O próximo desafio, segundo Veras, está em avançar na regulação, certificação e competitividade econômica do combustível.

O potencial de demanda chama atenção. A Maersk precisa renovar cerca de 20% de sua frota global a cada seis anos e estima que, até 2040, aproximadamente 40 embarcações poderão estar aptas a consumir etanol. Somente esse grupo poderia representar uma demanda de 1 milhão de toneladas do biocombustível.

Outro sinal positivo vem dos custos. Segundo o executivo, considerando a equivalência energética, o preço do etanol chegou recentemente a se aproximar do bunker marítimo e, por um breve período, apresentou maior competitividade.

Brasil pode ocupar espaço nessa nova demanda

A disponibilidade de etanol em grande escala coloca o setor sucroenergético brasileiro em posição estratégica. A Maersk já vem se aproximando de usinas, universidades e fabricantes de equipamentos para conhecer a cadeia produtiva e aprofundar os estudos técnicos.

Pernambuco também aparece nesse mapa. O Porto de Suape foi visitado pela companhia e poderá, futuramente, funcionar como um hub de abastecimento de etanol para embarcações.

A sinalização da Maersk reforça uma discussão que ganha força no setor: o crescimento do etanol pode ir além dos veículos flex e da mistura à gasolina, avançando para novos mercados como a navegação e ampliando o papel do biocombustível brasileiro na descarbonização dos transportes.

Fonte: Movimento Econômico – Veja na íntegra aqui