IA amplia eficiência na moagem da cana

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O avanço da inteligência artificial começa a modificar processos tradicionais da indústria sucroenergética, com reflexos diretos na eficiência operacional e no desempenho econômico das usinas, diz nota do “Agrolink”. Segundo informações do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Processamento de Dados do Mato Grosso, a adoção de sistemas inteligentes tem permitido ajustes em tempo real na moagem da cana-de-açúcar, uma das etapas mais sensíveis da produção.

A tecnologia combina sensores de infravermelho próximo com algoritmos de inteligência artificial para analisar continuamente as características da matéria-prima durante o processamento. Ao contrário do modelo convencional, baseado em análises laboratoriais realizadas a cada quatro horas, o novo sistema acompanha a operação segundo a segundo, permitindo decisões imediatas e maior precisão no controle industrial.

A composição da cana varia ao longo da colheita, interferindo diretamente nos níveis de açúcar, fibras e água, fatores determinantes para a recuperação de ATR. Com base nessas informações em tempo real, o sistema realiza a calibragem automática das moendas, utilizando recursos já existentes nas unidades industriais e facilitando a adaptação operacional.

Os testes tiveram início em 2020, com ampliação do uso em 2021 e adoção da regulagem automática a partir de 2022. O investimento totalizou R$ 3,5 milhões ao longo de cinco anos. Na última safra, a tecnologia proporcionou aumento de 0,25% no índice de recuperação de açúcar, resultando em um faturamento adicional estimado entre R$ 2,5 milhões e R$ 3 milhões.

Embora sensores de infravermelho sejam utilizados no setor desde a década de 1990, o diferencial está na integração com inteligência artificial e na calibração precisa, ajustada às condições específicas de cada usina. Na safra 2024/25, a unidade que utiliza o sistema processou 3,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, com produção de etanol e açúcar, e planeja ampliar a tecnologia para outras etapas produtivas.

Fonte: Agrolink