Etanol vira novo campo de batalha entre Brasil e EUA

A disputa entre Brasil e Estados Unidos pelo mercado global de etanol ganhou novos capítulos e vai muito além das tarifas de importação. Os dois maiores produtores mundiais do biocombustível travam uma concorrência estratégica que mistura comércio, segurança energética, sustentabilidade e geopolítica.

O principal ponto de atrito surgiu em 2017, quando o Brasil passou a taxar o etanol americano após uma forte entrada do produto dos EUA no mercado nacional. Desde então, Washington critica as barreiras brasileiras, enquanto o setor sucroenergético argumenta que os próprios Estados Unidos mantêm restrições técnicas que dificultam o acesso do etanol de cana ao mercado americano.

A disputa também se estende ao campo ambiental. Enquanto o etanol brasileiro destaca sua menor intensidade de carbono e a eficiência da cana-de-açúcar, os americanos defendem os avanços tecnológicos do etanol de milho e os investimentos em combustíveis renováveis.

O que mudou nos últimos anos?

O etanol de milho já responde por quase 30% da produção brasileira;
O Brasil reduziu significativamente a necessidade de importar etanol dos EUA;
Os Estados Unidos avançam na ampliação do E15, aumentando o consumo doméstico;
A disputa comercial ganhou espaço nas negociações bilaterais entre os dois países;
Mercados como SAF, transporte marítimo e descarbonização ampliam a relevância estratégica do etanol.

Com o crescimento da produção brasileira e a expansão do consumo interno norte-americano, o setor avalia que a competição tende a migrar cada vez mais para mercados internacionais ligados à transição energética, onde eficiência, pegada de carbono e segurança de abastecimento serão fatores decisivos.

Fonte: Correio do Povo – Veja na íntegra aqui