Entregas de fertilizantes caem e acendem alerta para a safra

O mercado brasileiro de fertilizantes perdeu ritmo em maio e reforçou a preocupação com o abastecimento da próxima safra. Dados da ANDA mostram que as entregas somaram 3,16 milhões de toneladas, queda de 14,7% em relação ao mesmo mês de 2025. No acumulado de janeiro a maio, o recuo foi de 2,2%, totalizando 15,46 milhões de toneladas.

Segundo a entidade, após um primeiro trimestre aquecido pela boa safrinha, o início do conflito no Oriente Médio desacelerou os negócios. Além da geopolítica, fatores como juros elevados, crédito restrito, relações de troca desfavoráveis, recuperações judiciais e riscos climáticos ligados ao El Niño reduziram o ritmo das compras.

A produção nacional também encolheu. Entre janeiro e maio, foram produzidas 2,41 milhões de toneladas, queda de 17,1%, pressionada principalmente pela alta do preço do enxofre, matéria-prima dos fertilizantes fosfatados.

As importações acompanharam o movimento, com retração de 2,7% no acumulado do ano, enquanto o Porto de Paranaguá, principal porta de entrada de fertilizantes do país, registrou queda de 9,6% no volume desembarcado.

Apesar da desaceleração, Mato Grosso segue como o maior consumidor de fertilizantes do Brasil, concentrando 25,2% das entregas nacionais, à frente de Paraná, São Paulo, Goiás e Minas Gerais.

O cenário reforça a necessidade de planejamento antecipado das compras, já que a combinação de menor oferta, incertezas geopolíticas e logística pressionada pode aumentar os riscos de abastecimento e de alta nos custos para a safra 2026/27.

Fonte: CNN Brasil – Veja na íntegra aqui