As chuvas no Centro-Sul do Brasil devem provocar uma forte redução na produção de açúcar na primeira quinzena de setembro. Levantamento da Platts, da S&P Global Energy, com dez analistas estima produção de 2,09 milhões de toneladas, queda de 42,5% em relação às 3,6 milhões de toneladas registradas no mesmo período de 2025.
O impacto climático também aparece na moagem. O processamento de cana é estimado em 29,8 milhões de toneladas, recuo de 35,4% na comparação anual, diante das 46,1 milhões de toneladas processadas na primeira metade de setembro do ano passado.
Etanol ganha participação no mix
Apesar da forte redução da moagem, o etanol deve apresentar uma queda proporcionalmente menor. A pesquisa estima produção de 1,89 bilhão de litros, retração de 18,7% ante os 2,33 bilhões de litros de igual período de 2025. O volume considera também a produção de etanol de milho.
A diferença reflete a maior participação do biocombustível no destino da matéria-prima. Os analistas calculam que 50,15% da cana tenha sido direcionada ao etanol, enquanto 49,85% seguiu para a fabricação de açúcar.
ATR menor aumenta pressão sobre as usinas
Além de limitar a entrada das máquinas nos canaviais, o excesso de chuvas deve ter prejudicado a qualidade da matéria-prima. O ATR médio é estimado em 147,53 kg por tonelada, abaixo dos 154,59 kg/t registrados no mesmo período do ano passado.
Os números reforçam um cenário de menor disponibilidade de açúcar e maior participação relativa do etanol no mix. Para o mercado de biocombustíveis, a evolução das chuvas e da moagem nas próximas quinzenas será decisiva para determinar quanto da cana ainda poderá migrar para o etanol até o encerramento da safra 2026/27.
Fonte: RPA News – Veja na íntegra aqui