Depois de quase quatro meses com vantagem econômica sobre a gasolina, o etanol hidratado começa a registrar uma reação mais consistente da demanda. A mudança pode abrir espaço para recuperação dos preços, segundo análise do BTG Pactual.
O banco estima que, no fim de julho, os estoques tenham representado 14,2% do consumo acumulado em 12 meses, bem abaixo da média histórica de 20% para o período. Em junho, essa relação estava em 11,8%, ante média de 14% nos últimos dez anos.
O movimento coincide com um ponto importante no comportamento do consumidor. Historicamente, segundo os analistas Thiago Duarte e Guilherme Guttilla, o motorista de veículos flex leva cerca de 100 dias para responder de maneira mais significativa à melhora da competitividade do etanol.
Esse período está praticamente completo: o hidratado acumula cerca de 98 dias sendo negociado próximo de 65% do preço da gasolina, nível bastante competitivo para o consumidor.
Para o BTG, os estoques já sinalizam que a demanda começou a responder à vantagem nas bombas. Com maior consumo e disponibilidade relativamente mais ajustada, cresce a possibilidade de sustentação das cotações.
O banco calcula que o etanol teria espaço para uma alta de aproximadamente R$ 0,35 por litro para recuperar a relação de preços com a gasolina observada há um ano. Os analistas avaliam, inclusive, que uma valorização mais expressiva não seria surpreendente.
Para o setor sucroenergético, o cenário coloca uma variável importante no radar: se a reação do consumo ganhar força, o mercado pode começar a absorver parte da oferta elevada e mudar a dinâmica de preços do etanol nos próximos meses.
Fonte: Globo Rural – Veja na íntegra aqui