Brasil se destaca na produção de biocombustíveis em meio à crise energética global

Bomba para abastecimento com etanol em posto de combustíveis – Foto Divulgação/ Unica

O Brasil se consolida como potência em biocombustíveis, utilizando a safra recorde de cana-de-açúcar e a abundância de milho como trunfos em um cenário internacional de instabilidade no fornecimento de petróleo, diz nota do “Diário do Povo”. Enquanto o mundo enfrenta incertezas e escassez energética, o país garante o abastecimento crescente de etanol, derivado de fontes renováveis. A produção de etanol deve atingir 30 bilhões de litros na safra 2025/2026, um volume que quase iguala a projeção de importação de gasolina brasileira no mesmo período, segundo a União Brasileira da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica).

O país, segundo maior produtor mundial de biocombustíveis, atrás apenas dos Estados Unidos, beneficia-se de políticas de incentivo como o Proálcool, criado em 1975, e de investimentos contínuos em tecnologia agrícola. A Lei do Combustível do Futuro e a popularização dos veículos flex impulsionaram ainda mais o mercado. O programa Renovabio também atua como um estímulo, ao obrigar distribuidoras a compensarem a venda de combustíveis fósseis com créditos de descarbonização.

Atualmente, o etanol hidratado é utilizado diretamente em veículos de passeio, enquanto o anidro é misturado à gasolina em 30%, com perspectiva de aumento para 35%. O biodiesel, majoritariamente produzido a partir da soja, compõe 14% do óleo diesel, com projeção de elevação para 16% e, futuramente, 20% em 2030. Setores produtivos, como a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio), demonstram disposição em auxiliar o governo em testes para expandir o uso do biodiesel.

Apesar da liderança do etanol, com 37,1 bilhões de litros vendidos em 2025, o biocombustível responde por 6,7% do consumo total de energia no Brasil, superando o gás de cozinha, mas ainda atrás da gasolina e do diesel. O crescimento do consumo de etanol na última década foi notável, com um avanço de 6 pontos percentuais.

Empresas como a Granbio, pioneira em etanol de segunda geração a partir da celulose, e a Inpasa, focada em etanol de milho, vislumbram oportunidades de exportação, especialmente para o mercado europeu, que valoriza a sustentabilidade. A Atvos, produtora de etanol a partir da cana-de-açúcar, destaca a viabilidade econômica e os benefícios ambientais do etanol. Olhando para o futuro, o etanol deve desempenhar um papel crucial na eletrificação da frota e no desenvolvimento de biorrefinarias, que produzirão não apenas biocombustíveis, mas também químicos renováveis e bioprodutos.

Fonte: Diário do Povo