O avanço da indústria de biodiesel em Mato Grosso começa a redesenhar o destino da maior safra de soja do Brasil. Em maio, as exportações do grão pelo Estado recuaram quase 15% em relação ao mesmo período do ano passado, refletindo não apenas a menor demanda da China, mas também o fortalecimento do consumo interno.
Segundo dados do Imea, uma parcela crescente da soja permaneceu em território mato-grossense para atender à produção de óleo de soja, principal insumo utilizado na fabricação de biodiesel. O movimento evidencia o papel cada vez mais estratégico dos biocombustíveis na agregação de valor à cadeia agrícola nacional.
A China, principal compradora da soja produzida no Estado, importou 2,79 milhões de toneladas em maio, volume 22,7% inferior ao registrado um ano antes. Ainda assim, a desaceleração das vendas externas não compromete o desempenho acumulado do setor.
Entre janeiro e maio, Mato Grosso exportou 19,85 milhões de toneladas de soja, o maior volume para o período dos últimos cinco anos. O resultado reforça a força da produção estadual, mesmo diante das oscilações típicas do mercado internacional.
Para o restante de 2026, as perspectivas permanecem otimistas. A expectativa do Imea é que o Estado embarque 32,11 milhões de toneladas até o final do ano, superando levemente o volume exportado em 2025.
Mais do que uma queda pontual nas exportações, o cenário sinaliza uma transformação estrutural: com a expansão do biodiesel, uma parcela cada vez maior da soja brasileira pode ser consumida internamente, fortalecendo a indústria de biocombustíveis e reduzindo a dependência exclusiva dos mercados externos.
Fonte: VGN. Veja a matéria na íntegra aqui.