
O avanço da produção de biodiesel na Bahia e a ampliação das exportações para o mercado europeu estiveram no centro de uma reunião realizada nesta segunda-feira (26/01/2026) na Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Bahia (SDE). O encontro reuniu representantes da Petrobras Biocombustível S.A. (PBio), trabalhadores do setor e o governo estadual para tratar do desempenho da Usina de Biodiesel de Candeias, dos investimentos em modernização e dos efeitos positivos para o desenvolvimento econômico e sustentável do estado.
Participaram da agenda o diretor de Biodiesel da PBio, Flávio Tomiello; o gerente da usina de Candeias, Valter Paixão; e o coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar. A pauta incluiu o crescimento da produção, a consolidação de exportações e a integração da cadeia produtiva no território baiano.
Expansão produtiva e exportações em curso
Desde 2023, a PBio vem promovendo investimentos voltados à modernização da unidade de Candeias e à estruturação da cadeia produtiva. Em 2025, a usina realizou duas exportações de biodiesel avançado para a Europa, com embarques pelo Porto de Aratu, e já trabalha na formação de novos lotes. A previsão é de novas exportações ainda no primeiro trimestre de 2026, ampliando a presença do produto baiano em mercados internacionais de alta exigência regulatória.
O secretário estadual da SDE, Angelo Almeida, ressaltou que o desempenho do segmento se insere em uma estratégia de longo prazo, sustentada pelo diálogo entre governo, empresa e trabalhadores. Segundo ele, o fortalecimento do biodiesel em Candeias demonstra a viabilidade de conciliar desenvolvimento econômico, geração de empregos, inovação industrial e sustentabilidade ambiental.
Integração da cadeia e novos vetores de crescimento
A reunião também destacou a integração da cadeia produtiva no estado, com matérias-primas provenientes da Região Metropolitana de Salvador e do Oeste baiano. Nesse contexto, foi mencionada a ampliação das oportunidades decorrentes da entrada em operação da usina de etanol de milho em Luís Eduardo Magalhães, reforçando a sinergia entre diferentes segmentos dos biocombustíveis.
De acordo com o governo estadual, essa articulação fortalece a posição da Bahia como polo estratégico na cadeia global de biocombustíveis, amplia a atratividade para investimentos e estimula novos contratos, com reflexos diretos na geração de renda e na dinamização da economia regional.
Desempenho ambiental e padrões internacionais
O biodiesel exportado foi produzido a partir de óleo técnico de milho (TCO) e apresentou redução superior a 84% nas emissões de gases de efeito estufa em comparação ao diesel fóssil. O produto atendeu, ainda, aos critérios de sustentabilidade e rastreabilidade da certificação ISCC (International Sustainability and Carbon Certification), exigida pela União Europeia.
Esses requisitos atestam a conformidade do biodiesel baiano com padrões internacionais rigorosos, reforçando a credibilidade do produto e a capacidade da indústria local de competir em mercados altamente regulados.
Inclusão social e economia circular
Outro eixo tratado foi a estruturação de cadeias de gorduras animais e de óleos e gorduras residuais, como o óleo de cozinha usado. A iniciativa envolve associações de catadores e cooperativas, combinando ganhos ambientais, inclusão social e sustentabilidade econômica. O modelo promove a economia circular, reduz passivos ambientais e amplia a base de fornecimento de matérias-primas para o setor.
Fonte: Jornal Grande Bahia