A Argentina avançou na ampliação do uso de biodiesel e colocou uma nova variável no mercado internacional da soja. O Senado aprovou um novo marco regulatório que prevê elevar de 7,5% para 10% a mistura obrigatória de biodiesel no diesel, mudança com potencial para adicionar cerca de 285 mil toneladas de óleo de soja por ano à demanda doméstica.
O projeto foi aprovado por 41 votos a 25 e ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados. Portanto, o B10 ainda não está em vigor. Pelo texto, a nova mistura começaria 12 meses após eventual sanção da lei. Para o bioetanol, a proposta também eleva a mistura obrigatória na gasolina de 12% para 15%.
Biodiesel pode mudar fluxo de óleo e farelo
O impacto ganha relevância porque a Argentina está entre os maiores processadores e exportadores mundiais de derivados de soja, e seu biodiesel utiliza predominantemente óleo de soja.
Caso toda a demanda adicional do B10 fosse atendida por novo processamento, seriam necessárias aproximadamente 1,5 milhão de toneladas adicionais de soja, com potencial para gerar cerca de 1,15 milhão de toneladas de farelo. Esse, porém, representa um cenário máximo.
Parte da nova demanda poderá ser suprida com óleo atualmente destinado a outros mercados, inclusive exportação. Assim, o impacto efetivo sobre o esmagamento e a oferta internacional de farelo dependerá de quanto óleo será redirecionado e quanto precisará ser produzido adicionalmente.
A Argentina possui capacidade instalada para responder ao aumento do consumo. A indústria de biodiesel tem capacidade próxima de 3,9 milhões de toneladas anuais, atualmente com elevada ociosidade.
Para o complexo soja, o avanço do B10 adiciona um novo fundamento: mais biodiesel significa maior demanda estrutural por óleo de soja dentro da Argentina, com potencial para alterar os fluxos de exportação de óleo e farelo. O próximo ponto decisivo será a votação do novo marco regulatório pela Câmara dos Deputados.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui