A preocupação com o abastecimento de diesel no Brasil voltou a fortalecer a discussão sobre teores maiores de biodiesel. A Aprobio defende tanto a ampliação do uso voluntário acima do atual B15 quanto a implementação do B17, como estratégia para reduzir a exposição do País às importações de combustível fóssil.
O debate ganhou força após relatos de restrições e atrasos na entrega de diesel a produtores rurais no Rio Grande do Sul, justamente no início do plantio da safra de verão. Segundo a entidade, a dependência externa aumenta a vulnerabilidade do abastecimento diante de choques geopolíticos e da volatilidade do petróleo.
A Aprobio calcula que o Brasil recebe entre 20 e 25 navios de diesel importado por mês. Para setembro, são esperados aproximadamente 838 mil m³, dos quais cerca de 80% teriam origem nos Estados Unidos.
B17 poderia substituir até quatro cargas de diesel por mês
Segundo a associação, elevar a mistura de 15% para 17% acrescentaria cerca de 125 mil m³ mensais de biodiesel nacional ao mercado, volume suficiente para substituir de três a quatro navios de diesel importado por mês.
A entidade também destaca que a regulamentação permite o uso voluntário de concentrações superiores ao B15, mediante comunicação à ANP, em segmentos como transporte público e ferroviário, navegação, frotas cativas, mineração, geração de energia e máquinas agrícolas.
Para o presidente da Aprobio, Jerônimo Goergen, a indústria brasileira dispõe de capacidade para atender uma expansão da mistura. O setor também trabalha para acelerar os testes necessários à adoção de percentuais mais elevados.
Com petróleo caro e maior preocupação com a oferta de diesel, o biodiesel volta a ganhar espaço na discussão sobre segurança energética. Além de reduzir importações, uma mistura maior ampliaria a demanda por matérias-primas nacionais e a atividade da cadeia agroindustrial.
Fonte: Correio do Povo – Veja na íntegra aqui