Alta dos fertilizantes impulsiona corrida pelo calcário no Matopiba

A disparada dos preços dos fertilizantes, agravada pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, está levando produtores rurais a buscar alternativas para reduzir custos e aumentar a eficiência dos insumos nas lavouras. Entre elas, o calcário agrícola voltou ao centro das estratégias de manejo no Matopiba.

Segundo especialistas da Embrapa e entidades do setor mineral, a correção da acidez do solo por meio da calagem permite melhorar o aproveitamento dos nutrientes já presentes na terra ou aplicados via fertilizantes, aumentando a rentabilidade da adubação.

Por que o calcário ganhou protagonismo?

O Brasil é autossuficiente na produção de calcário agrícola.
O insumo não depende de importações ou rotas internacionais.
Aumenta a eficiência do fósforo e do nitrogênio no solo.
Reduz perdas de nutrientes e melhora a produtividade.
Ajuda a mitigar os efeitos da alta dos fertilizantes importados.

Pesquisas da Embrapa indicam que a correção adequada da acidez pode elevar a eficiência de uso do fósforo em até 40% e do nitrogênio entre 15% e 25%, reduzindo a necessidade de aplicações adicionais em momentos de forte pressão sobre os custos.

Bahia lidera; Piauí enfrenta desafios logísticos

A Bahia possui uma cadeia consolidada de produção de calcário e responde por cerca de 15% a 20% da demanda nordestina. Já no Piauí, o principal gargalo continua sendo a logística. Estudos da Fiepi mostram que o frete representa entre 40% e 60% do custo final do produto entregue na fazenda, reduzindo sua competitividade.

No Maranhão, a falta de dados consolidados sobre a produção mineral e a distância dos centros produtores têm levado parte dos agricultores a buscar alternativas como a rochagem com pó de basalto.

Alerta da Embrapa: economia não pode virar prejuízo

Apesar dos benefícios, pesquisadores alertam para os riscos da chamada “supercalagem”. Aplicações excessivas de calcário podem elevar demais o pH do solo, reduzindo a disponibilidade de micronutrientes como zinco e manganês e comprometendo a produtividade futura das lavouras.

A recomendação técnica continua sendo a mesma: análise de solo, correção adequada da acidez e uso equilibrado de calcário, gesso agrícola e fertilizantes.

O que muda para o agro?

A crise internacional dos fertilizantes reforça uma tendência que ganha força no Brasil: investir na construção da fertilidade do solo para reduzir a dependência de insumos importados. Em um cenário de volatilidade geopolítica e custos elevados, o manejo correto do solo passa a ser uma ferramenta estratégica de competitividade e segurança produtiva para o agricultor.

Fonte: Movimento Econômico – Veja na íntegra aqui