Açúcar recua com demanda fraca e fundos elevam risco de liquidação

Os preços internacionais do açúcar encerraram a sexta-feira (18) sem direção única, depois de atingirem mínimas de três semanas. Em Nova York, o contrato outubro caiu para 17,36 cents por libra-peso, enquanto, em Londres, o açúcar branco para dezembro avançou para US$ 508,50 por tonelada.

A pressão sobre as cotações durante a semana veio principalmente das dúvidas sobre a demanda física. A entrega de 499,35 mil toneladas contra o contrato outubro em Londres, volume 91% superior ao registrado no mesmo contrato de 2025, reforçou a percepção de disponibilidade elevada diante de uma procura ainda enfraquecida.

Outro fator de atenção é o posicionamento dos fundos. As posições líquidas compradas em Nova York aumentaram em 28.055 contratos, para 160.551 contratos, maior volume em quase três anos. A concentração amplia o risco de uma correção mais intensa caso os investidores decidam realizar lucros e reduzir exposição.

Oferta global limita pressão sobre os preços

Apesar da fraqueza de curto prazo, os fundamentos de oferta continuam oferecendo suporte. A ISO projeta déficit mundial de 200 mil toneladas em 2026/27, enquanto a StoneX estima déficit de 1,7 milhão de toneladas.

Na Tailândia, a produção pode cair 17%, para cerca de 10 milhões de toneladas. Na Índia, as chuvas de monção estavam 15% abaixo da média até 16 de setembro, aumentando as incertezas sobre a próxima safra.

O Brasil permanece decisivo para o equilíbrio mundial. Além do desempenho da produção de cana, o mercado acompanha o mix das usinas entre açúcar e etanol, que pode responder às oscilações do petróleo e da competitividade do biocombustível.

Assim, o açúcar entra nas próximas sessões dividido entre dois vetores: demanda física enfraquecida e risco de liquidação dos fundos no curto prazo, contra perspectivas de oferta global mais apertada e incertezas climáticas para 2026/27.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui