Os preços internacionais do açúcar encerraram a terça-feira (27) em alta, recuperando parte das perdas registradas na sessão anterior, quando as cotações em Nova York despencaram 5,6% e atingiram o menor nível em um mês. O movimento foi influenciado pela recuperação parcial do real brasileiro e por novas estimativas de redução da oferta global.
Na bolsa de Nova York, o contrato de açúcar bruto para março avançou 10 pontos, encerrando a 19,20 centavos de dólar por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco para dezembro subiu para US$ 519,20 por tonelada.
Na segunda-feira (26), a forte desvalorização do real havia pressionado os preços internacionais, diante da perspectiva de maior competitividade das exportações brasileiras. Na terça-feira, a moeda recuperou 1,2%, contribuindo para a reação das cotações.
A Covrig Analytics elevou sua projeção de déficit mundial de açúcar em 2026/27 de 300 mil para 490 mil toneladas. Para 2025/26, a consultoria reduziu a estimativa de superávit de 5,2 milhões para 1,2 milhão de toneladas, considerando a menor produção brasileira e o aumento das importações indianas.
No Brasil, as condições climáticas seguem entre os principais fatores de atenção. Segundo a Unica, a produção de açúcar do Centro-Sul caiu 5,6% em agosto, para 7,089 milhões de toneladas, em razão das chuvas que prejudicaram a colheita e a moagem.
A Datagro também projeta uma redução de aproximadamente 5% na produção de açúcar do Centro-Sul em 2026/27, para cerca de 38,4 milhões de toneladas, refletindo os impactos climáticos associados ao El Niño.
Na Índia, a produção acumulada até 25 de outubro somou 400 mil toneladas, abaixo das 600 mil toneladas registradas no mesmo período da safra anterior. Apesar do início mais lento, o país mantém estoques remanescentes estimados em 3,6 milhões de toneladas. O governo indiano também prorrogou até dezembro a autorização para importar até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto sem impostos, medida que pode influenciar os fluxos internacionais do produto.
O mercado de açúcar permanece dividido entre a pressão cambial sobre as exportações brasileiras e os riscos de redução da oferta mundial. Para as próximas sessões, o comportamento do real, a evolução das chuvas no Centro-Sul e as estimativas de produção nas principais regiões produtoras continuarão determinantes para a formação dos preços.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui