O mercado brasileiro de fertilizantes deve encerrar 2026 com retração de 10% a 15% nas entregas, reflexo dos custos elevados, das incertezas geopolíticas e da redução das margens dos produtores rurais. A avaliação é do presidente do Sindiadubos Paraná, Aluísio Schwartz Teixeira, em entrevista ao Notícias Agrícolas.
Segundo o dirigente, as entregas nacionais devem ficar entre 42 milhões e 44 milhões de toneladas em 2026, abaixo das aproximadamente 49 milhões de toneladas registradas no ano anterior.
A pressão sobre o setor foi intensificada pelos conflitos internacionais, especialmente pelas tensões no Estreito de Ormuz e pela guerra entre Rússia e Ucrânia, que afetaram os preços dos fertilizantes e os custos logísticos.
No mercado doméstico, juros elevados, tributação sobre insumos e custos de transporte também comprometeram a rentabilidade agrícola, levando parte dos produtores a reduzir a adubação.
Recuperação em 2027 depende das margens do produtor
Para 2027, o Sindiadubos Paraná projeta uma recuperação das entregas para aproximadamente 47 milhões de toneladas, sustentada pela expectativa de melhora nas condições econômicas e nas margens operacionais dos agricultores.
Entretanto, o atraso nas compras de fertilizantes destinados à segunda safra de milho preocupa o setor. As incertezas cambiais e o ambiente eleitoral reduziram o ritmo das negociações, enquanto as entregas físicas devem se concentrar em janeiro e fevereiro.
Segundo Teixeira, a redução da adubação em 2026 foi uma resposta direta à perda de rentabilidade no campo.
“O agricultor, na hora em que viu suas margens apertadas, reduziu a adubação. Então se a conta não fecha para o agricultor, não adianta trazer fertilizante que não vai vender.”
Cana-de-açúcar enfrenta pressão e busca maior eficiência
Entre as principais culturas agrícolas, o café apresenta uma relação de troca favorável, enquanto a soja registra melhora relativa nas condições de aquisição de fertilizantes.
Na cana-de-açúcar, o cenário permanece mais desafiador. Além das pressões sobre os custos de produção, o setor enfrenta a crescente participação do etanol de milho no mercado de biocombustíveis, incentivando as usinas a investir em tecnologias que aumentem a eficiência da adubação.
O algodão, por sua vez, apresenta condições mais favoráveis, apoiadas no perfil tecnificado e na maior capacidade de investimento de parte dos produtores.
O Sindiadubos também acompanha questões estruturais, como os gargalos logísticos no Porto de Paranaguá, os efeitos do frete mínimo, a tributação sobre insumos e a ampliação do acesso ao seguro rural.
A expectativa para 2027 é de recuperação gradual do consumo de fertilizantes, mas o avanço dependerá principalmente da rentabilidade agrícola, das condições de crédito e da normalização do ritmo de compras. O comportamento da demanda para a safrinha será um dos primeiros indicadores dessa retomada.
Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui