Mercado de fertilizantes deve recuar 11% em 2026, mas projeta recuperação em 2027

Após atingir o recorde de 49,1 milhões de toneladas de fertilizantes entregues em 2025, o mercado brasileiro deve enfrentar uma retração expressiva em 2026, seguida de recuperação no próximo ano. As projeções foram apresentadas durante o 20º Simpósio Sindiadubos NPK 2026, realizado em Curitiba (PR).

Segundo Jeferson Souza, analista de fertilizantes da Agrinvest Commodities, as entregas devem totalizar 43,6 milhões de toneladas em 2026, queda de aproximadamente 11% em relação ao ano anterior. Outras estimativas apresentadas no evento apontam retração entre 10% e 15%.

A desaceleração também aparece no consumo de nutrientes. Entre janeiro e setembro, os dados apresentados indicaram queda de 21% no uso de nitrogênio, 20% no de ureia e 18% no de sulfato de amônio, refletindo um cenário de maior cautela nas aquisições de insumos agrícolas.

Para 2027, a expectativa é de recuperação das entregas para 47,5 milhões de toneladas, crescimento de aproximadamente 9% em relação à projeção de 2026. Entre os principais fatores estão a expansão da produção de etanol de milho, que amplia a demanda pelo grão e por fertilizantes, o crescimento do cultivo de sorgo e o fortalecimento do ciclo produtivo da soja.

Apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor, o presidente do Sindiadubos-PR, Aluisio Schwartz Teixeira, destacou que o abastecimento permanece assegurado. “Não faltou adubo e não vai faltar”, afirmou durante o encontro. O setor também defende medidas para melhorar as condições de produção, incluindo renegociação de dívidas rurais, redução dos juros, revisão do frete mínimo e ampliação do seguro agrícola.

A perspectiva para 2027 é de retomada gradual do consumo de fertilizantes, sustentada pela expansão de novas cadeias produtivas e pela recuperação da demanda agrícola. Entretanto, o ritmo dessa recuperação dependerá das condições de crédito, dos custos dos insumos e da rentabilidade dos produtores rurais.

Fonte: R7 – Veja na íntegra aqui