O Porto de Santos iniciou uma nova etapa na utilização de biocombustíveis no transporte marítimo internacional, com o abastecimento regular de navios movidos a etanol. A iniciativa, anunciada pela Autoridade Portuária de Santos (APS), CMA CGM, Copersucar e Bunker One, representa um avanço para a inserção do etanol brasileiro no mercado global de combustíveis marítimos de baixo carbono.
A primeira operação desta fase ocorreu em 19 de outubro, no porta-contêineres CMA CGM Iron, com capacidade para 13 mil TEUs e equipado com um motor tricombustível certificado para operar com etanol. Novos abastecimentos de embarcações da CMA CGM estão previstos até o fim de 2026.
Segundo Giovani Grassi, CEO da CMA CGM do Brasil, a iniciativa demonstra a viabilidade de incorporar o etanol às operações marítimas de forma segura, confiável e em escala comercial.
A Copersucar destaca que o Brasil possui uma cadeia consolidada de produção e distribuição de etanol, com potencial para atender à demanda internacional por combustíveis de menor intensidade de carbono. Segundo a companhia, o mercado global de combustíveis marítimos supera 270 bilhões de litros anuais. Em um cenário hipotético apresentado pela empresa, a substituição de parte desse consumo poderia representar um mercado adicional de aproximadamente 50 bilhões de litros de etanol por ano.
A operação no Porto de Santos envolve diferentes agentes da cadeia logística. O etanol produzido pelas usinas associadas à Copersucar é transportado pela Evolua Etanol, armazenado pela AGEO Terminais e disponibilizado para abastecimento pela Bunker One, no terminal da Santos Brasil.
Para garantir a segurança da operação, a Bunker One desenvolveu um protocolo específico, considerando as características de inflamabilidade do etanol. Dados da sociedade classificadora DNV apontam que 159 embarcações já operam com motores preparados para metanol, enquanto mais de 450 navios com essa tecnologia têm entrega prevista até 2030.
Parte dessa frota poderá representar oportunidades para o etanol, desde que haja compatibilidade técnica, certificação e infraestrutura adequada para sua utilização.
O início do abastecimento regular em Santos representa um marco para a diversificação dos mercados consumidores de etanol brasileiro. Além do uso automotivo, o biocombustível passa a ganhar espaço como alternativa para a descarbonização do transporte marítimo, abrindo novas perspectivas comerciais para o setor sucroenergético nacional.
Fonte: Agência Infra – Veja na íntegra aqui