Açúcar reage em NY, mas demanda fraca ainda limita recuperação

Os preços internacionais do açúcar encerraram esta segunda-feira (21) sem direção única. Em Nova York, o contrato outubro do açúcar bruto recuperou parte das perdas recentes e avançou para 17,48 cents por libra-peso, após atingir a mínima em três semanas e meia. Em Londres, o açúcar branco para dezembro recuou para US$ 507,50 por tonelada.

A reação em Nova York foi favorecida pelo fechamento de posições vendidas e pela valorização do real frente ao dólar. Uma moeda brasileira mais forte tende a reduzir a atratividade das exportações ao diminuir a receita das usinas em reais.

Apesar da recuperação, a demanda física continua sendo um fator de pressão. A entrega de 499,35 mil toneladas contra o contrato outubro em Londres, volume 91% superior ao registrado um ano antes, reforçou a percepção de menor apetite comprador.

Os fundos também merecem atenção. As posições líquidas compradas chegaram a 161.342 contratos, maior nível em quase três anos. Essa concentração aumenta a vulnerabilidade das cotações a uma eventual realização de lucros.

Oferta global limita pressão baixista

Os fundamentos para 2026/27, porém, continuam oferecendo suporte. A ISO projeta déficit global de 200 mil toneladas, enquanto a StoneX trabalha com saldo negativo de 1,7 milhão de toneladas. Para 2027/28, a Czarnikow estima déficit de 2,9 milhões de toneladas.

Na Tailândia, a produção poderá cair 17%, para 10 milhões de toneladas. Na Índia, as chuvas de monção permanecem 15% abaixo da média, enquanto a autorização para importar até 1 milhão de toneladas de açúcar bruto evidencia as preocupações com a disponibilidade doméstica.

O Brasil completa esse quadro de incertezas. Além da menor produção no Centro-Sul, o mercado acompanha o El Niño e as decisões das usinas sobre o mix entre açúcar e etanol.

No curto prazo, portanto, o açúcar permanece dividido entre demanda física enfraquecida e posições elevadas dos fundos, de um lado, e perspectivas de uma oferta global mais apertada nas próximas safras, de outro.

Fonte: Notícias Agrícolas – Veja na íntegra aqui