Canola e biodiesel podem abrir nova frente de renda no Sul

A expansão da canola e dos biocombustíveis pode criar uma nova fonte de renda para o agronegócio brasileiro, especialmente no Sul, mas dependerá de planejamento, organização da cadeia produtiva e segurança regulatória. A avaliação é de Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (APROBIO).

Durante painel realizado na Expointer 2026, Goergen destacou que a canola reúne uma característica estratégica: permite produzir alimentos, óleo vegetal, farelo e energia, agregando valor à produção agrícola antes da comercialização.

Na safra de inverno, a cultura também pode complementar o trigo, diversificando receitas, melhorando o aproveitamento das áreas e reduzindo a exposição do produtor às oscilações de um único mercado.

Biodiesel pode impulsionar demanda por oleaginosas

A expansão do biodiesel é apontada como um dos principais vetores para esse mercado. Segundo Goergen, cada ponto percentual adicional na mistura demandaria aproximadamente 1,4 milhão de toneladas de soja, equivalentes a cerca de 24 milhões de sacas.

Embora a soja continue predominante, o aumento do consumo de biodiesel pode estimular a utilização de canola e outras matérias-primas. O presidente da APROBIO afirma ainda que a indústria possui capacidade ociosa suficiente para adicionar entre 7 e 8 pontos percentuais de biodiesel ao diesel fóssil.

Para aproveitar esse potencial, porém, o setor cobra previsibilidade. Na avaliação de Goergen, o cumprimento do cronograma estabelecido pela Lei do Combustível do Futuro é essencial para sustentar investimentos tanto na produção agrícola quanto na indústria.

B25 e SAF ampliam perspectivas

Outra frente é o avanço dos testes com maiores teores de biodiesel. Segundo Goergen, a expectativa é que o B25 esteja completamente testado até fevereiro de 2027, com avaliações sobre desempenho, consumo, emissões e durabilidade dos motores.

O SAF, combustível sustentável de aviação, também pode abrir mercado adicional para oleaginosas. Nesse cenário, o Rio Grande do Sul aparece com potencial para aproveitar a produção de canola, a estrutura de cooperativas e a capacidade de processamento já existentes.

Para que essa oportunidade se transforme em renda, a APROBIO defende uma cadeia integrada entre produtores, cooperativas, cerealistas, esmagadoras e indústrias de biocombustíveis, com contratos e demanda capazes de proporcionar maior segurança ao agricultor.

A combinação entre canola, biodiesel e SAF pode, assim, ampliar a industrialização dos grãos, diversificar matérias-primas para combustíveis renováveis e criar uma nova alternativa econômica para a safra de inverno brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio – Veja na íntegra aqui