Os contratos futuros de açúcar bruto encerraram agosto com valorização de 21,5% em Nova York, refletindo uma combinação de riscos climáticos associados ao El Niño, preços elevados de energia e preocupações com a oferta global.
Na sessão de segunda-feira (31), o açúcar bruto negociado na ICE avançou 1,4%, para 17,81 cents/lb, recuperando parte das perdas da sexta-feira, quando as cotações haviam recuado mais de 3% após uma sequência de fortes ganhos.
Apesar da realização de lucros, os fundamentos continuam dando sustentação ao mercado. No Brasil, a previsão de novas chuvas pode reduzir o ritmo da colheita e da moagem de cana no Centro-Sul, aumentando as incertezas sobre a capacidade das usinas de processar toda a matéria-prima disponível.
Outro fator importante é o etanol. Segundo a Archer Consulting, a recuperação dos preços do biocombustível pode levar as usinas brasileiras a manter uma parcela maior da cana destinada à sua produção, limitando uma migração mais rápida do mix para o açúcar mesmo diante da valorização internacional do adoçante.
Índia aumenta preocupação com oferta
O clima também mantém a Índia no radar. Depois de um agosto com precipitações abaixo das expectativas, o serviço meteorológico do país indicou possibilidade de chuvas inferiores ao normal em setembro, elevando a preocupação com o desenvolvimento da cana e a próxima safra de açúcar.
Com riscos climáticos simultâneos em importantes regiões produtoras e a disputa entre açúcar e etanol pelo mix das usinas brasileiras, o mercado entra em setembro atento ao clima e à resposta da produção, depois de um dos movimentos de valorização mais fortes dos últimos meses.
Fonte: Brasil Agro – Veja na íntegra aqui