Os contratos futuros de açúcar bruto registraram forte volatilidade nesta quarta-feira, com as preocupações climáticas voltando ao centro das negociações internacionais. Na ICE Futures US, as cotações chegaram a 17,11 centavos de dólar por libra-peso, maior nível desde junho de 2025, antes de perder força ao longo do pregão.
O contrato encerrou a sessão a 16,42 cents/lb, queda de 1,9%, ou 0,31 centavo. Apesar da realização de lucros, o mercado continua sustentado pelas incertezas sobre a oferta mundial de açúcar, principalmente diante dos problemas climáticos no Brasil e na Índia.
Chuvas atrasam colheita de cana no Brasil
Segundo o Rabobank, o mercado acompanha os impactos dos dias de colheita perdidos no Centro-Sul brasileiro durante junho e parte de julho.
As chuvas frequentes dificultaram o avanço das operações no campo e aumentaram o risco de que parte da cana disponível não seja colhida dentro da atual temporada.
Além do atraso operacional, o excesso de umidade pode prejudicar a qualidade da matéria-prima, especialmente a concentração de açúcares na cana, adicionando incerteza às projeções de produção.
O cenário ganha relevância porque o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, fazendo com que alterações nas expectativas para a safra brasileira tenham impacto direto sobre as cotações internacionais.
El Niño aumenta incertezas sobre oferta mundial
O comportamento do El Niño também permanece no radar dos investidores. O mercado aguarda uma nova atualização do serviço meteorológico dos Estados Unidos sobre a evolução do fenômeno.
Na Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, as precipitações permanecem 11,7% abaixo da normalidade, aumentando as preocupações com o desenvolvimento da cana.
A combinação de problemas climáticos nos dois principais produtores mundiais reforça a percepção de que a disponibilidade global da commodity poderá ficar mais apertada.
Açúcar branco também recua após atingir máxima
Em Londres, o açúcar branco apresentou movimento semelhante. Os contratos chegaram a US$ 520,90 por tonelada, maior cotação desde abril de 2025, antes de encerrarem o pregão em queda de 0,9%, a US$ 506,90 por tonelada.
A volatilidade mostra que, apesar da realização de lucros após a recente valorização, os fundamentos relacionados à oferta continuam oferecendo suporte ao mercado.
Café arábica sobe com estoques reduzidos
No mercado de café, o arábica encerrou a sessão em alta de 1,3%, ou 4,25 centavos, cotado a US$ 3,1995 por libra-peso.
Os estoques certificados pela ICE permanecem nos menores níveis desde o final de 2023, fator que continua sustentando as cotações. Segundo operadores, as perspectivas de recomposição significativa desses volumes no curto prazo permanecem limitadas.
Para o açúcar, clima, ritmo da moagem brasileira e evolução das chuvas na Índia devem continuar entre os principais direcionadores dos preços nas próximas semanas, mantendo elevada a volatilidade no mercado internacional.
Fonte: Space Money – Veja na íntegra aqui