EUA impõem nova tarifa e preserva principais produtos do agro

Os Estados Unidos anunciaram uma nova tarifa de 12,5% sobre parte das importações brasileiras, ampliando a pressão sobre o comércio bilateral. Apesar da medida, os principais produtos do agronegócio brasileiro permanecem fora da taxação, reduzindo os impactos imediatos sobre as exportações do setor.

A nova tarifa entra em vigor nesta sexta-feira (24) e foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Segundo o governo americano, a investigação concluiu que o Brasil e outros 59 parceiros comerciais não possuem mecanismos considerados suficientes para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Países que adotaram medidas mais rigorosas receberam tarifa de 10%, enquanto o Brasil foi enquadrado na alíquota de 12,5%.

Mesmo com a nova cobrança, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) manteve uma extensa lista de exceções, preservando mais de 2 mil produtos. De acordo com a Amcham Brasil, cerca de 3 mil itens brasileiros, equivalentes a US$ 12,5 bilhões em exportações anuais, serão atingidos pela medida.

O governo brasileiro reagiu imediatamente, classificando a decisão como protecionista e anunciando que acionará a Lei da Reciprocidade. Os ministérios da Fazenda e do Desenvolvimento também contestaram os fundamentos da investigação, afirmando que o país mantém compromissos históricos no combate ao trabalho escravo e é signatário das convenções da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Na prática, a nova tarifa substitui a taxa global de 10% adotada pelos Estados Unidos no início do ano e ocorre em um momento de maior instabilidade no comércio internacional. Para reduzir os impactos sobre as empresas exportadoras, o governo brasileiro reforçou o Plano Brasil Soberano, que já disponibilizou R$ 18,5 bilhões em crédito para apoiar setores estratégicos, incluindo fertilizantes, indústria farmacêutica, têxtil e empresas afetadas pelos desdobramentos da guerra no Oriente Médio. O cenário reforça a necessidade de diversificação de mercados e de fortalecimento das relações comerciais com parceiros da Ásia, Oriente Médio e América Latina.

Fonte:G1 – Veja na íntegra aqui