A decisão da Petrobras de retomar as obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), em Três Lagoas (MS), é vista como um avanço para reduzir a dependência brasileira das importações de ureia. No entanto, especialistas alertam que o principal desafio será garantir competitividade frente aos fertilizantes importados.
Para Marcelo Soto, head de Operações e Inteligência de Suprimentos da SCA Brasil Aliança, o alto custo do gás natural continua sendo o maior obstáculo para a viabilidade da produção nacional.
“O gás natural representa entre 60% e 80% do custo de produção da ureia. Hoje, esse custo pode chegar a US$ 15 por milhão de BTUs no Brasil, enquanto concorrentes internacionais operam próximos de US$ 3”, afirma.
Segundo Soto, além do preço da ureia importada, a futura produção da Petrobras precisará competir com outras fontes de nitrogênio, como sulfato de amônio e nitrato de amônio, utilizadas pelos produtores rurais conforme a relação de custo-benefício.
O executivo também destaca que a falta de continuidade da produção nacional dificulta o planejamento do mercado.
“Os distribuidores precisam de previsibilidade para firmar contratos anuais. Sem oferta contínua, o produtor continuará dependente das importações.”
Embora a retomada da UFN-III fortaleça a estratégia brasileira de segurança no abastecimento de fertilizantes, especialistas avaliam que a redução da dependência externa dependerá de uma produção nacional competitiva, previsível e alinhada às novas tecnologias de baixo carbono, como a amônia verde.
Fonte: Site NEOFEED – Veja na íntegra aqui