Safra 26/27 preocupa setor e pode marcar virada para o etanol

A safra 2026/27 deve ser uma das mais desafiadoras dos últimos anos para o setor sucroenergético. A avaliação é de Hugo Cagno Filho, presidente da Udop, que aponta a combinação entre preços deprimidos do açúcar, incertezas no mercado de etanol e políticas energéticas como os principais fatores de pressão sobre a rentabilidade das usinas.

Segundo o executivo, o setor aguardava medidas de fortalecimento dos biocombustíveis diante da alta do petróleo provocada pelas tensões no Oriente Médio, mas vê com preocupação o atraso na decisão sobre o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, proposta que poderá ser analisada pelo CNPE no próximo dia 24 de junho.

Apesar do cenário adverso, muitas usinas já começam a direcionar mais cana para a produção de etanol. A expectativa é que a demanda adicional gerada pelo E32 possa consumir cerca de 1 bilhão de litros do biocombustível.

Ao mesmo tempo, a produção de cana segue em expansão. A estimativa para o Centro-Sul supera 630 milhões de toneladas nesta safra, acima das 611 milhões registradas no ciclo anterior. Com maior oferta de matéria-prima, a moagem pode se estender até dezembro, ampliando a disponibilidade de açúcar e etanol no mercado.

O cenário reforça um momento de decisões estratégicas para as usinas, que acompanham de perto os desdobramentos da política energética e o comportamento dos mercados de açúcar e biocombustíveis.

Fonte: Globo Rural – Veja na íntegra aqui