A expectativa do mercado de biodiesel para a adoção do B16 ganhou um novo obstáculo. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenha anunciado, em abril, a intenção de elevar a mistura obrigatória de biodiesel no diesel de 15% para 16%, um parecer técnico do Ministério de Minas e Energia (MME) revela que o aumento pode não acontecer tão cedo.
O documento, enviado aos integrantes do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), aponta riscos jurídicos, regulatórios e operacionais caso a medida seja implementada antes da conclusão dos testes exigidos pela Lei do Combustível do Futuro. Segundo a avaliação técnica, a ausência de ensaios conclusivos pode comprometer a confiabilidade da frota nacional, com potenciais impactos como formação de borras, entupimentos, degradação de componentes e perda de desempenho de veículos e equipamentos.
O ponto que mais preocupa o setor é o cronograma. De acordo com o próprio MME, os testes necessários para validar o B16 devem ser concluídos apenas em fevereiro de 2027. Isso contrasta com a pressão crescente da cadeia produtiva do biodiesel, que defende a ampliação imediata da mistura e argumenta que o país possui capacidade instalada para atender à demanda.
Enquanto produtores reforçam que o biodiesel nacional é competitivo frente ao diesel fóssil importado, o governo tenta acelerar os estudos por meio de uma força-tarefa que reúne montadoras, fabricantes de motores, distribuidores, laboratórios e universidades. O setor privado também busca antecipar os resultados, com a meta de concluir parte dos ensaios ainda em 2026 e ampliar as avaliações para misturas de até B25.
A discussão sobre o B16 se tornou um dos temas mais estratégicos para o futuro dos biocombustíveis no Brasil. O desfecho poderá definir não apenas o ritmo de crescimento da demanda por biodiesel, mas também a credibilidade da política nacional de descarbonização e da agenda de combustíveis renováveis nos próximos anos.
Fonte: Jornal do Comércio. Veja a matéria na íntegra aqui.