O mercado internacional de açúcar segue sem força para uma recuperação consistente dos preços. Apesar da Czarnikow ter revisado sua projeção para a safra 2025/26, saindo de um cenário de amplo superávit para um leve déficit de apenas 100 mil toneladas, a demanda global continua fraca e limita movimentos de alta.
A principal revisão ocorreu no Brasil. A trading reduziu sua estimativa de produção para 39,5 milhões de toneladas após ajustar o mix de produção das usinas, que vêm direcionando mais cana para o etanol diante das margens menos atrativas do açúcar.
O que está pressionando o mercado?
Consumo global cresce em ritmo lento.
Estoques brasileiros aumentaram 23,8% entre abril e maio.
Exportações seguem abaixo das expectativas.
Oferta da safra do Centro-Sul continua chegando ao mercado.
El Niño ainda não deve afetar a produção brasileira de curto prazo.
Segundo a Czarnikow, fatores como inflação dos alimentos, mudanças nos hábitos de consumo e o avanço de medicamentos para controle de peso têm reduzido o crescimento da demanda global por açúcar. A consultoria cortou em 300 mil toneladas sua projeção de consumo mundial.
Etanol ganha protagonismo
Sem perspectiva de recuperação rápida para o açúcar, as usinas brasileiras seguem ampliando a produção de etanol como estratégia para preservar margens. O cenário reforça a tendência observada desde o início da safra 2026/27, quando o biocombustível passou a oferecer melhor rentabilidade em diversas regiões produtoras.
Para o setor sucroenergético, a mensagem é clara: embora o balanço global esteja mais apertado, os fundamentos ainda não sustentam uma valorização significativa do açúcar no curto prazo, mantendo o etanol como principal alternativa de rentabilidade para as usinas.
Fonte: Globo Rural – Veja na íntegra aqui