El Niño ameaça oferta, mas superávit global mantém açúcar travado nas bolsas

O mercado internacional de açúcar iniciou junho sem grandes oscilações, refletindo um equilíbrio entre a preocupação climática e a ampla oferta global da commodity. Em Nova York, o contrato julho/2026 permaneceu na faixa entre 14 e 14,50 centavos de dólar por libra-peso, sem força para movimentos mais expressivos.

Segundo a Safras & Mercado, o principal fator de pressão continua sendo o excedente global estimado em cerca de 6 milhões de toneladas na safra atual e 4 milhões de toneladas no próximo ciclo. Esse cenário reduz os temores de desabastecimento e limita a valorização dos preços.

No entanto, o mercado acompanha com atenção o risco de um evento El Niño de forte intensidade, que pode comprometer a produção em importantes regiões produtoras e alterar o balanço global de oferta e demanda nos próximos meses.

No Brasil, o mercado físico também segue estável. A maior rentabilidade do etanol hidratado — entre 2% e 5% superior à do açúcar em diversas regiões — tem levado usinas a priorizarem o biocombustível, reduzindo a pressão para vendas imediatas da commodity.

Enquanto isso, a entrada da safra 2026/27 no Centro-Sul mantém pressão sobre os preços do etanol, diante do aumento da oferta e da postura cautelosa das distribuidoras, que seguem realizando compras pontuais.

Para os próximos meses, o setor continuará monitorando dois fatores decisivos: a evolução do El Niño e o ritmo da safra brasileira, que devem determinar a direção dos mercados de açúcar e etanol ao longo do segundo semestre.

Fonte: Portal do Agronegócio – Veja na íntegra aqui