A produção acumulada de biodiesel no Brasil atingiu 3,25 milhões de m³ entre janeiro e abril (+9,87%), segundo a ANP. Entretanto, em abril, a produção recuou 6,36% para 851,30 mil m³, mas está +6,98% em relação ao mesmo período do ano passado. O óleo de soja subiu 4,5 p.p. e ampliou sua participação na matriz para 75,6% em abril (71,1% em março).
As vendas de biodiesel somaram 835,83 mil m³ em abril, alta de 8,72% frente ao ano passado. Essa quantidade de biodiesel é suficiente para garantir a venda de aproximados 5,57 milhões de m³ de B15. No acumulado do ano, as vendas somaram 3,29 milhões de m³, uma alta de 10,82%.
As vendas de diesel B pelas distribuidoras no Brasil somaram 5,65 milhões m³ em abril, alta de 3,23% sobre o mesmo mês de 2025, mostraram os dados da ANP. No acumulado do ano, as vendas de diesel B totalizaram 22,49 milhões m³, alta de 2,98% ante o mesmo período de 2025.
Biodiesel ganha espaço na estratégia do governo em meio à crise dos combustíveis
A semana encerrou com o mercado brasileiro atento aos desdobramentos da política de combustíveis e aos possíveis reflexos sobre o setor de biodiesel. Embora o relatório não indique qualquer decisão formal sobre aumento da mistura obrigatória, a combinação entre a prorrogação dos incentivos fiscais ao biodiesel até 31 de julho, a manutenção das medidas de contenção dos preços dos combustíveis e o ambiente de forte volatilidade energética mantém elevada a atenção dos agentes para eventuais sinalizações do governo nas próximas semanas.
O governo federal prorrogou até o final de julho a tributação zerada para o biodiesel, mantendo desconto equivalente a 100% do PIS/Cofins incidente sobre o produto. A medida integra o pacote emergencial criado para reduzir os impactos da alta dos combustíveis provocada pelo conflito no Oriente Médio e pelo fechamento do Estreito de Ormuz. Paralelamente, foram mantidas as subvenções ao diesel, incluindo novo subsídio de R$ 1,12 por litro para refinarias e importadores.
“Mesmo sem avanços imediatos sobre o B16, as medidas adotadas reforçam a relevância do biodiesel dentro da política energética nacional e mantêm o setor no centro das discussões sobre segurança energética, redução da dependência do diesel importado e mitigação dos impactos da volatilidade do petróleo”, analisa Filipe Cunha, head comercial biodiesel – SCA Brasil.
Óleo de soja recua, mas demanda por biocombustíveis mantém mercado sustentado
O mercado de óleo de soja passou por um movimento de realização de lucros ao longo da semana. O contrato julho na CBOT do óleo de soja encerrou a semana em 74,12 cents/lb, desvalorização de 4,63% na semana.
Apesar da correção recente, os preços seguem próximos dos maiores níveis desde 2022. No início da semana, o contrato mais ativo chegou a US¢ 79,09/lb, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio e pelas perspectivas favoráveis para a demanda por biocombustíveis nos Estados Unidos.
Os fundamentos continuam robustos. Os RINs D4 de biodiesel permanecem acima de 235 cents/RIN, em máximas históricas, enquanto os custos de conformidade do programa americano de combustíveis renováveis atingiram recordes. Esse ambiente mantém elevada a atratividade da produção de biodiesel e diesel renovável, sustentando a demanda por óleo vegetal.
No Brasil, o prêmio local se fortaleceu, amenizando a queda do óleo e encerrou a semana em 21,20 cents/lb negativo. Apesar da subida no prêmio, o óleo de soja FOB Paranaguá reduziu 0,75%, para US$ 1.166,69/t. Veja o gráfico:

Demanda global por óleo vegetal segue firme e reforça suporte ao mercado
Segundo Cunha, os principais indicadores globais continuam apontando para uma demanda robusta por matérias-primas oleaginosas, sustentando os fundamentos do mercado mesmo após os recentes ajustes de preços.
Nos Estados Unidos, o esmagamento de soja atingiu 5,94 milhões de toneladas em abril, crescimento de 8% em relação ao mesmo período do ano passado. A produção de óleo bruto avançou 5%, refletindo a expansão contínua da indústria de biocombustíveis.
Na China, o esmagamento semanal permaneceu próximo de níveis historicamente elevados, atingindo 2,15 milhões de toneladas na semana encerrada em 29 de maio. Os estoques de soja nas plantas alcançaram 6,36 milhões de toneladas, enquanto os estoques combinados dos principais óleos vegetais permaneceram em 2,01 milhões de toneladas.
Óleo de palma: mudanças regulatórias e risco climático entram no radar do mercado
O mercado de óleo de palma segue acompanhando dois fatores que podem influenciar o equilíbrio global de oferta nos próximos meses: a nova política de exportações da Indonésia e o aumento dos riscos climáticos no Sudeste Asiático.
Na Indonésia, o governo publicou a regulamentação que centraliza as exportações de commodities estratégicas sob controle estatal. A partir de janeiro de 2027, as vendas externas deverão ser realizadas exclusivamente por uma entidade designada pelo governo. Embora a medida possa estimular embarques mais agressivos no curto prazo, o mercado avalia que ela também adiciona incertezas sobre a previsibilidade e a fluidez dos fluxos comerciais futuros.
Na Malásia, as projeções indicam produção entre 1,55 e 1,56 milhão de toneladas em maio, queda próxima de 5% em relação ao mês anterior. Apesar disso, os estoques devem avançar para cerca de 2,36 milhões de toneladas, refletindo a desaceleração das exportações e uma demanda internacional mais moderada no curto prazo.
“Outro fator de atenção é o clima”, pontua Cunha em sua análise semanal.
A Organização Meteorológica Mundial (OMM) elevou para 80% a probabilidade de formação do fenômeno El Niño entre junho e agosto, com 90% de chance de permanência até novembro.
Segundo Cunha, o cenário aumenta o risco de impactos sobre a produtividade das lavouras de palma no Sudeste Asiático, principal região produtora do mundo.
Biodiesel: liquidez do mercado spot continua fraca
Segundo levantamento da SCA Brasil, o mercado spot apresentou um recuo em relação à semana anterior:
• Volume: 2.600 m³ (-2,44%)
• Preço médio: R$ 5.950/m³ (-0,71%)

Em virtude do feriado de Corpus Christi, a ANP não divulgou na sexta-feira, os preços médios de biodiesel.
Petróleo volátil mantém biocombustíveis no centro das atenções
O petróleo seguiu como principal fator de influência sobre os mercados de energia na semana, com o Brent oscilando entre USD 93 e USD 98 por barril em meio às incertezas das negociações entre Estados Unidos e Irã. O risco de interrupções no Estreito de Ormuz, somado a ataques pontuais, restrições logísticas e à queda contínua dos estoques globais, continua sustentando um elevado prêmio de risco nos preços da energia.
Mesmo diante da expectativa de aumento da produção pela OPEP+, as limitações físicas para escoamento e abastecimento seguem restringindo a capacidade de resposta da oferta global, mantendo o mercado em um ambiente de elevada volatilidade.
Nos óleos vegetais, a semana foi marcada por uma correção técnica de preços, mas sem alteração dos fundamentos. A forte demanda por óleo de soja para biocombustíveis nos Estados Unidos, as preocupações com a oferta futura de óleo de palma no Sudeste Asiático e o cenário global de segurança energética continuam sustentando o complexo de biocombustíveis.
No Brasil, a prorrogação dos incentivos fiscais ao biodiesel e a crescente relevância do tema na política de combustíveis reforçam a percepção de que o setor permanecerá no centro das discussões regulatórias e energéticas nos próximos meses.
“Apesar da acomodação recente dos preços, os fundamentos seguem favoráveis aos biocombustíveis. Petróleo elevado, demanda global aquecida por óleos vegetais e maior atenção à segurança energética continuam criando um ambiente estruturalmente positivo para o biodiesel”, conclui Cunha.
SCA Brasil
Boletim Semanal – 01 a 05/06/2026