O biodiesel brasileiro entrou em uma nova fase. Após anos de questionamentos sobre qualidade e desempenho nos motores, o setor decidiu investir pesado em transparência, certificação e testes para ampliar a participação do biocombustível na matriz energética nacional.
Em entrevista exclusiva, o presidente da Aprobio, Jerônimo Goergen, afirmou que o Brasil está prestes a iniciar o maior programa de testes de biodiesel do mundo, com investimentos próximos de R$ 10 milhões. O objetivo é validar misturas de até B25 e encerrar dúvidas sobre a utilização do combustível em veículos e equipamentos movidos a diesel.
Segundo Goergen, grande parte dos problemas historicamente atribuídos ao biodiesel está relacionada à armazenagem, transporte e adulteração de combustíveis, e não à qualidade das matérias-primas, como soja e sebo bovino. Dados recentes da ANP mostram que as não conformidades identificadas no mercado caíram pela metade entre novembro de 2025 e maio de 2026.
Além dos testes, o setor prepara um novo modelo de governança com a criação de um selo único de qualidade, acompanhado por um comitê independente formado por representantes do governo, consumidores, transportadores e distribuidores.
A estratégia vai além da qualidade do combustível. Para a Aprobio, ampliar a mistura de biodiesel significa reduzir a dependência das importações de diesel, que atualmente custam cerca de R$ 60 bilhões por ano ao país, além de agregar valor à cadeia da soja e fortalecer a segurança energética nacional.
O setor também vê uma oportunidade estratégica diante da volatilidade geopolítica global. Com conflitos pressionando os mercados de petróleo e energia, o biodiesel passa a ser tratado não apenas como uma alternativa ambiental, mas como uma ferramenta de soberania econômica e industrial.
A expectativa é que os testes do B25 sejam concluídos até março de 2027, abrindo caminho para novos avanços regulatórios e para uma participação ainda maior dos biocombustíveis no transporte brasileiro.
Fonte: Frota e Cia – Veja na íntegra aqui