EUA elevam pressão comercial sobre o Brasil e etanol volta ao centro da disputa

O governo dos Estados Unidos aumentou a tensão comercial com o Brasil após concluir uma investigação que pode abrir caminho para uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros exportados ao mercado americano. O relatório foi divulgado pelo USTR e aponta práticas brasileiras consideradas “irracionais” ou restritivas ao comércio americano.

Entre os principais pontos de atrito está novamente o mercado de etanol. Segundo o governo americano, o Brasil teria abandonado, desde 2017, condições de reciprocidade tarifária para o combustível, o etanol americano enfrenta hoje ambiente menos favorável no mercado brasileiro. O tema é especialmente sensível para estados produtores de milho dos EUA, base da indústria americana de etanol.

Os EUA questionam o funcionamento do Pix, decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, regras de moderação de conteúdo no Brasil. Segundo o relatório, o Banco Central atuaria simultaneamente como regulador e operador do sistema de pagamentos instantâneos, criando suposta vantagem competitiva.

Apesar do endurecimento do discurso, o processo ainda passará por consultas públicas, audiências e manifestações do setor privado. O cronograma prevê audiência pública em 6 de julho e decisão final até 15 de julho.

A retomada do etanol como foco da disputa ocorre justamente em um momento em que os EUA discutem ampliação do E15, o Brasil avança no E32, cresce a competição global por mercados de biocombustíveis. O movimento mostra que energia, tecnologia e agro passaram a fazer parte da mesma disputa geoeconômica entre os países.

Para o setor sucroenergético, o tema ganha peso porque envolve exportações, competitividade do etanol, relações bilaterais, política energética internacional.

Fonte: Extra – Veja na íntegra aqui