Alta dos fertilizantes impulsiona revolução dos bioinsumos no campo brasileiro

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O agronegócio brasileiro vive uma transformação silenciosa com o avanço dos bioinsumos, impulsionado pela disparada dos preços dos fertilizantes químicos em meio a tensões no Oriente Médio. Enquanto a ureia subiu 76% no primeiro trimestre, o mercado de bioinsumos atingiu recorde histórico em 2025, superando R$ 6,2 bilhões em vendas e expandindo a área tratada em 28% (194 milhões de hectares), segundo dados da CropLife Brasil.

A forte dependência do Brasil de fertilizantes importados — cerca de 85% do consumo, conforme a Companhia Nacional de Abastecimento — intensificou a busca por alternativas. A redução da oferta global de nitrogenados, agravada por conflitos envolvendo países como Irã, acelerou a adoção de biofertilizantes, vistos como solução para reduzir custos e aumentar a autonomia produtiva.

Mesmo representando menos de 10% do mercado total, os bioinsumos crescem a taxas aceleradas, cerca de 22% ao ano, muito acima da média global. O avanço é resultado de maior investimento em pesquisa, ampliação da oferta e da adoção combinada com defensivos químicos, o que tem contribuído para ganhos de produtividade e sustentabilidade no campo.

Em 2025, o Brasil bateu o recorde de registros de novos insumos agrícolas: foram 139 novos bioinsumos e 560 defensivos químicos aprovados, segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária.

Apesar do crescimento, o setor ainda enfrenta desafios, como a baixa presença de inovações disruptivas — a maioria dos novos registros refere-se a produtos genéricos. Ainda assim, políticas como o Plano Nacional de Fertilizantes indicam metas ambiciosas, incluindo a redução da dependência externa para menos de 60% até 2030 e a expansão em três vezes do uso de microrganismos na agricultura.

Com potencial para liderar globalmente o segmento, o Brasil atrai novos investidores e empresas, embora a competição crescente deva pressionar margens e consolidar o mercado. Nesse cenário, os bioinsumos se firmam como peça-chave na construção de um modelo agrícola mais resiliente, sustentável e menos dependente do mercado internacional.

Fonte: Valor Econômico – Veja a matéria na íntegra aqui