Petróleo dita o ritmo e sustenta óleos vegetais em semana de elevada volatilidade

DE OLHO NO BIODIESEL BOLETIM SEMANAL DE MERCADO DA SCA BRASIL 30/3 a 3/04/2026

Entre 30/03 e 03/04, a volatilidade voltou com força diante das tensões no Oriente Médio. Após ensaios de queda com expectativas de trégua, os preços reagiram rapidamente: o Brent avançou 7,1%, fechando a US$ 108,2/bbl, refletindo a retomada das ameaças dos Estados Unidos contra o Irã e o enfraquecimento das negociações de cessar-fogo.

Filipe Cunha, head comercial Biodisel da SCA Brasil comenta que a oferta apertada sustenta agora preços elevados e, mesmo com estoques comerciais nos EUA próximos de 460 milhões de barris, o mercado segue firme.

A queda na produção da OPEP, especialmente no Golfo Pérsico, somada ao aumento das exportações americanas de derivados — com destaque para o diesel — reforça um cenário global de oferta restrita.

“O resultado é um mercado altamente sensível a qualquer novo ruído geopolítico”, pontua Cunha.

Óleo de soja reage e mantém fundamentos positivos

O óleo de soja acompanhou o petróleo, alternando momentos de queda e recuperação ao longo do período de 30/03 e 03/04, mas encerrando em alta. Os fundamentos seguem construtivos: o esmagamento nos EUA atingiu 5,82 milhões de toneladas em fevereiro, um recorde, enquanto o consumo avançou para 817 mil toneladas.

No segmento de biocombustíveis, o uso de óleo de soja cresceu para 443 mil toneladas, representando 42,6% do mix, reforçando a demanda estrutural. Além disso, a área plantada estimada abaixo do esperado ajudou a conter pressões baixistas.

Na CBOT, o contrato maio/2026 fechou a 68,94 cents/lb (+1,35% na semana). Já o óleo de soja FOB Paranaguá subiu para US$ 1.244,29/t (+3,71%), mesmo com prêmio ainda negativo em -12,50 cents/lb. Veja o quadro:

Óleo de palma ganha suporte com Indonésia e exportações

O mercado de óleo de palma também encontrou sustentação. A decisão da Indonésia de avançar com o B50 a partir de julho deve elevar a demanda interna para cerca de 15 milhões de toneladas, reduzindo o excedente exportável.

Na Malásia, as exportações cresceram 44,3% em março, alcançando 1,68 milhão de toneladas, com forte demanda de Europa e China. Ainda assim, compras mais cautelosas da Índia e estoques elevados limitam altas mais agressivas no curto prazo.

BR Biodiesel: política fortalece produção nacional

No Brasil, o principal movimento veio do CNPE, que reforçou a exigência de origem nacional para o biodiesel na mistura obrigatória. Na prática, a decisão reduz o espaço para importações e aumenta a previsibilidade regulatória, fortalecendo a indústria doméstica.

A manutenção da regra de que ao menos 80% do biodiesel deve vir de produtores com Selo Biocombustível Social também amplia o papel da agricultura familiar e reforça a integração da cadeia.

Mercado spot segue travado, mas preços sobem

O mercado spot de biodiesel manteve baixa liquidez na semana, pressionado pela menor oferta e preços mais elevados que os contratos. Segundo levantamento da SCA Brasil:

  • Volume: 2.265 m³
  • Preço médio: R$ 5.794/m³
  • Variação: +5% na semana

Volatilidade no curto prazo, suporte no longo

O mercado entra na nova semana com o petróleo no comando do curto prazo, altamente dependente dos desdobramentos geopolíticos. Ao mesmo tempo, os fundamentos estruturais — especialmente ligados à demanda por biocombustíveis — seguem oferecendo sustentação.

A volatilidade do petróleo voltou a liderar os mercados, com as oscilações geopolíticas no Oriente Médio determinando o comportamento dos óleos vegetais e reforçando a conexão com a demanda por biocombustíveis.

“Para o setor, a equação passa a exigir ainda mais leitura de mercado e decisões rápidas diante de um ambiente cada vez mais dinâmico”, orienta Cunha.