
A discussão sobre a possível liberação da importação de biodiesel deixou de ser apenas um embate entre produtores e distribuidores e passou a refletir uma disputa mais ampla sobre modelo de política energética, formação de preços e estratégia industrial, diz nota da “CNN Brasil”.
A pergunta central, contudo, permanece objetiva: existe necessidade técnica para importar biodiesel ou trata-se de uma escolha regulatória orientada por lógica concorrencial?
De um lado, associações ligadas à distribuição e ao comércio de combustíveis passaram a defender a abertura regulada do mercado. Entre elas estão o IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), a Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), a Brasilcom, a Fecombustíveis e o SindTRR.
No governo, a discussão também revelou nuances. A ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) participa tecnicamente do debate regulatório, enquanto áreas econômicas com foco concorrencial avaliam a abertura como instrumento de eficiência.
No campo oposto, a reação veio da cadeia produtiva doméstica. A Frente Parlamentar do Biodiesel e associações de produtores argumentam que a importação comprometeria investimentos, empregos no campo e a previsibilidade regulatória construída ao longo de duas décadas.
O setor ressalta que o Brasil dispõe de capacidade instalada entre 14 e 15 bilhões de litros anuais, enquanto a produção efetiva oscila entre 9 e 10 bilhões, o que implica ociosidade próxima de 40% a 50%. Sob esse prisma, não haveria insuficiência estrutural de oferta que justificasse a necessidade técnica de importar.
A decisão final, mais do que operacional, será política e econômica — e seus efeitos se estenderão da bomba de diesel às cadeias agrícolas.
Fonte: CNN Brasil