
Por Eliane Silva
A produtora de cana-de-açúcar Flávia Varella, da Fazenda Garrafinha, em Barretos, diz que sempre teve o desejo de tornar a fazenda mais organizada e ter maior controle sobre os processos e custos, mas não sabia qual caminho seguir. Segundo ela, faltava um método, uma orientação.
Com a orientação do Programa Semeia (Sustentabilidade Econômica, Meio Ambiente, Eficiência e Inteligência Agronômica), da Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), a Garrafinha se tornou este ano um das 78 fazendas associadas a conquistar a certificação Bonsucro.
A Bonsucro, principal plataforma global de sustentabilidade e padrão para cana-de-açúcar, atesta a adoção de práticas agrícolas responsáveis pela propriedade, garantindo maior eficiência e respeito aos critérios ambientais e sociais. A Canaoeste é um dos 74 membros da Bonsucro no Brasil. No total, a certificação tem 338 membros, entre associações, indústrias, traders e intermediários do setor em 54 países.
Na primeira etapa do programa da Canaoeste, há um ano, receberam a certificação 12 produtores associados, que respondem por 26 propriedades e cultivam cerca de 17 mil hectares, com uma produção de 1,1 milhão de toneladas de cana certificada.
Com a renovação da certificação desses produtores e a adesão de mais quatro agricultores ao programa, a certificação atinge agora 22 mil hectares certificados de 78 propriedades, que produzem no total 1,5 milhão de toneladas de cana.
Incentivada pelos avanços observados pelos produtores já certificados, Flávia decidiu aderir ao Semeia e, paralelamente, integrou o programa Elos Raízen, que possui objetivos similares. A produtora fez um planejamento estratégico para, em diversas etapas, melhorar a infraestrutura, treinar e conscientizar os funcionários sobre a necessidade de mudança nos processos e intensificar a segurança no trabalho.
“Os processos se tornaram mais eficientes, houve uma redução de custos e, mesmo sem novas negociações comerciais até o momento, a rentabilidade já mostra sinais de melhora”, disse Flávia, em nota da Canaoeste.
Segundo ela, um dos principais avanços foi a diminuição expressiva no consumo de óleo diesel, graças à adoção de novos manejos e ao uso de drones em aplicações específicas na lavoura.
Adaptações
Quem investiu na renovação da certificação foi Lia Junqueira Netto Teixeira, da Fazenda Pavão, também em Barretos. Para atender às exigências da Bonsucro, a fazenda precisou passar por diversas adaptações estruturais e operacionais.
Entre os principais desafios enfrentados, Lia destaca a reestruturação dos depósitos de insumos, da oficina e das áreas de reciclagem. Também fez mudanças no departamento pessoal, para garantir maior conformidade com as normas trabalhistas e ambientais e capacitou os funcionários, promovendo boas práticas de sustentabilidade e segurança.
A produtora diz que um dos avanços mais significativos foi a eliminação do descarte inadequado de embalagens. Mesmo sem um impacto imediato na rentabilidade do negócio, já que a certificação não garante um preço maior pela tonelada de cana, Lia aposta que a certificação será um diferencial competitivo no mercado.
“Acredito que o futuro é este. Quem não tiver a propriedade certificada terá mais dificuldade de comercializar sua produção.” Para outros produtores que desejam buscar a certificação Bonsucro, Lia recomenda perseverança diante dos desafios iniciais. “Os custos e adaptações são necessários, mas os resultados são extremamente satisfatórios.”
Segundo Fernando dos Reis Filho, presidente da Canaoeste, a conquista fortalece a imagem do setor e amplia as oportunidades de mercado. “A certificação assegura um padrão de sustentabilidade que, além de melhorar a reputação do setor, permite atingir metas de compras sustentáveis e estabelecer parcerias estratégicas para a solução conjunta de desafios ambientais e sociais.”
Fonte: Globo Rural