Vendas de diesel no Brasil em 2025 até novembro crescem 2,7% em relação a 2024

DE OLHO NO BIODIESEL BOLETIM SEMANAL DE MERCADO DA SCA BRASIL 12 a 16/01/2026

As vendas de óleo diesel no Brasil em novembro totalizaram pouco mais de 5,62 milhões de m³, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), praticamente em linha com o volume registrado no mesmo mês de 2024, mas abaixo do ritmo observado nos meses anteriores. Ainda assim, no acumulado de janeiro a novembro de 2025, o consumo superou 64 milhões de m³, 2,7% acima do mesmo período no ano anterior e mantendo o mercado em trajetória de novo recorde anual.

A safra brasileira de soja 2025-2026 deverá atingir 182,2 milhões de toneladas segundo a Agroconsult, estabelecendo um novo recorde, sustentado por aumento de área para 48,8 milhões de hectares e produtividade média estimada em 62,3 sacas por hectare. A consultoria destaca que a melhora no regime de chuvas entre novembro e dezembro, após um início de plantio mais seco, reforçou o potencial produtivo na maior parte das regiões, com destaque positivo para Paraná, Mato Grosso, Goiás e Bahia, enquanto o Rio Grande do Sul segue como principal ponto de atenção.

Já o USDA projeta um cenário global mais confortável de oferta para 2025-2026, com a produção mundial de soja estimada em 425,7 milhões de toneladas, aumento mensal de 0,7%, e estoques globais finais de 124,4 milhões de toneladas, reforçando um balanço mais folgado. Para o Brasil, o órgão elevou sua estimativa de safra para 178 milhões de toneladas e exportações previstas em 114 milhões de toneladas.

Nos Estados Unidos, a produção foi revisada para cima, enquanto a demanda externa foi reduzida, elevando significativamente os estoques finais e pressionando os preços em Chicago. Para a Argentina, o USDA manteve a estimativa de safra estável em 48,5 milhões de toneladas, indicando ausência de mudanças relevantes no cenário produtivo do país até o momento.

No óleo de palma, o foco da semana esteve nas sinalizações do governo da Indonésia sobre o avanço do programa de biodiesel para o B50, com indicação de aumento do imposto de exportação como principal instrumento para financiar os subsídios ao biocombustível. A perspectiva de maior consumo doméstico de óleo de palma, impulsionada pela elevação gradual da mistura obrigatória, atuou como fator altista e ajudou a sustentar os preços, mesmo em um ambiente de ampla oferta global e estoques elevados na Malásia, reforçando o papel do B50 como elemento estrutural de suporte ao mercado no médio e longo prazo.

O óleo de soja encerrou a semana em alta na Bolsa de Chicago (CBOT na sigla em inglês), sustentado principalmente pela forte recuperação do petróleo, que ofereceu suporte ao complexo ao longo dos últimos pregões, apesar de um pano de fundo ainda majoritariamente baixista nos Estados Unidos. A volatilidade refletiu o contraste entre o apoio vindo do mercado de energia e os fundamentos mais fracos do setor de biocombustíveis, marcados por incertezas regulatórias em torno do crédito 45Z e do atraso na definição das metas do RFS, que seguem comprimindo margens, reduzindo a atividade das refinarias e limitando uma reação mais consistente dos preços do óleo de soja.

Do lado dos dados, o relatório WASDE trouxe atenção redobrada ao mercado ao reforçar expectativas de um quadro mais confortável de oferta global. As estimativas indicam provável revisão positiva da produção brasileira de soja, com elevação também dos estoques finais mundiais, o que tende a exercer pressão adicional sobre o complexo, incluindo o óleo. Nos EUA, embora as exportações de óleo de soja tenham mostrado recuperação recente, os volumes seguem insuficientes para reverter a percepção de demanda doméstica enfraquecida, mantendo o mercado sensível a novos dados oficiais e à evolução do petróleo como principal vetor de curto prazo.

O contrato de março/2026 do óleo de soja negociado na CBOT encerrou em 52,61 cents/libra na sexta-feira (16/01), apresentando valorização de 3,99% na semana. O prêmio de fevereiro/2025 do óleo de soja em FOB Paranaguá subiu 20 pontos, fechando a semana em 0,30 cents/libra. O flat price do óleo de soja FOB Paranaguá fechou em US$ 1.166,47/ton, valorização de 4,38% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

No levantamento realizado pela SCA Brasil, foi apurado um volume de 1.785 m³ na semana no mercado spot. Destaque para o estado do Mato Groso comercializando 900 m³. O preço médio foi de R$ 5.239/m³, com PIS/COFINS e sem ICMS, com uma desvalorização de 1,1% em relação à semana anterior.

Elaboração: SCA Brasil

No mercado nacional, entidades representativas do setor de combustíveis e energia defenderam a abertura regulada da importação de biodiesel e criticaram a proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) em consulta pública, que na prática restringe o produto estrangeiro, alegando que a medida contraria a legislação vigente, acordos do Mercosul e o modelo de livre negociação do setor. No posicionamento conjunto, as entidades argumentam que a indústria nacional de biodiesel é madura e capaz de atender a demanda interna, mas que a importação regulada — limitada a até 20% do volume do mandato, preservando a produção doméstica — ampliaria a concorrência, reforçaria a segurança energética, reduziria riscos de oferta e volatilidade de preços e protegeria o consumidor, sem flexibilizar os padrões técnicos e ambientais exigidos pela ANP.

O texto foi subscrito por entidades como o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), a Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes (Fecombustíveis) e o Sindicato Nacional do Comércio Transportador-Revendedor-Retalhista de Combustíveis (SindTRR), entre outras organizações setoriais.

Segundo o levantamento realizado entre 05/01 e 11/01 pela ANP, o preço médio do biodiesel negociado entre usinas e distribuidores na primeira semana do mês ficou em R$ 5.672,37, desvalorização de 4,23% em relação ao valor médio da semana anterior. As regiões Centro-Oeste e Nordeste apresentaram as maiores desvalorizações, com 6,57% e 6,04% respectivamente. O mercado acumula uma redução de 4,23% no ano.

Elaboração: SCA Brasil