Usinas participam de pool para compra de insumos

Com a alta nos preços dos fertilizantes, usinas sucroalcooleiras se uniram para realizar compras conjuntas de insumos. O pool de compras é organizado pela trading de etanol SCA e começou a operar na safra 2017/18 com empresas que processavam 40 milhões de toneladas de cana.

O pool, chamado Aliança SCA, reúne 16 usinas de cana, responsáveis por 70 milhões de toneladas, ou 12% da moagem no país. Segundo Alexandre Menezio, fundador e head de Estratégia e Novos Negócios da Aliança SCA para o jornal Valor, o crescimento da iniciativa nos últimos anos reflete o benefício financeiro que as associadas vêm obtendo.

Com o ganho de escala nas compras e negociações muitas vezes feitas diretamente com os fabricantes, as usinas conseguem negociar preços melhores — um diferencial e tanto no momento atual de disparada dos custos de insumos agrícolas.

A estratégia das usinas ganha corpo em contraposição à reorganização da cadeia de insumos gropecuários. Poucos anos atrás, gigantes do mercado de agroquímicos passaram por um forte movimento global de concentração, e agora é a vez de as empresas de distribuição de insumos seguirem o mesmo caminho.

Para evitar questionamentos de atuação anticompetitiva, o grupo buscou em 2016 um parecer do escritório de advocacia que recomendou algumas “boas práticas” com base nas regras do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), como manter o sigilo das informações dos participantes, aplicação de programa de compliance e impedimento de participação de diretores do pool em cargos nas usinas.

Hoje, algumas usinas como Jalles Machado e Adecoagro, Usina Coruripe, a Tietê Agroindustrial e a UISA, além do produtora de grãos Grupo Roncador e da divisão de citros da Louis Dreyfus Company, fazem parte da Aliança SCA. As companhias representam, em área, 700 mil ha.

A meta do grupo é avançar 50% em quantidade de cana representada. Na próxima safra, o grupo não contará mais com a Biosev, que foi comprada pela Raízen, mas há novidades como Clealco e Viterra.

Na safra atual (2021/22), o pool estima que o custo médio dos produtos comprados ficou 6% abaixo do valor que teriam que pagar caso cada usina operasse sozinha no mercado.

A economia para cada empresa, porém, pode variar conforme seu nível de eficiência — em alguns casos, é possível que a economia tenha alcançado 14%, e para outras já mais eficientes, 1%, afirmou Menezio ao jornal Valor.

“O ganho nesta safra foi maior que em safras anteriores. Em geral, é de 4% a 5%. Este ano [a economia] foi maior porque os preços de fertilizantes e agroquímicos aumentaram muito e a taxa de câmbio também influenciou”, diz Menezio. O valor movimentado de compras cresceu 25% ante a safra anterior e alcançou pouco mais de R$ 1,3 bilhão neste ciclo — o que significou uma economia agregada de custos de R$ 90 milhões.

Quase 80% dos gastos da Aliança SCA estão concentrados em agroquímicos, diesel e fertilizantes. Com agroquímicos, foram R$ 552 milhões nesta safra.

Além da economia de custos, o pool também tem oferecido às usinas garantia de entrega de alguns insumos em um momento de incertas com as cadeias de fornecimento.

Na safra 2022/23, a expectativa da Aliança SCA é comercializar outros insumos, como fertilizantes foliares, e também alcançar fornecedores de tecnologia.

Fonte: RevistaRPANews

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