
A nova tarifa dos Estados Unidos que pode chegar a 15% para a importação de produtos brasileiros vai tornar mais atrativa a exportação do açúcar nordestino dentro da cota americana, que – antes do tarifaço – não era taxada, diz nota do “Movimento Econômico”.
“Os 10% iam estimular mais esta exportação. A taxa de 15% é aceitável, embora a gente almeje a taxa zero. A nossa intenção é construir um caminho bilateral para uma convergência para a próxima cota americana”, diz o presidente do Sindicato da Indústria do Açúcar e do Álcool de Pernambuco (Sindaçúcar-PE), Renato Cunha. Ele também está à frente da Associação dos Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia.
Caso bem sucedida, a negociação vai contemplar o açúcar brasileiro a ser exportado dentro da cota americana do açúcar, que foi de 155 mil toneladas nesta safra. No Nordeste, a moagem é iniciada entre agosto e setembro e vai, geralmente, até março. O açúcar exportado pela cota é fabricado pelos produtores do Norte e Nordeste. Nesta safra (25/26), devem ter sido enviadas cerca de 135 mil toneladas com a taxação em 50%.
A redução do preço do açúcar na cota americana não foi o único problema enfrentado nesta moagem pelos produtores. “Ocorreram fatores muito instáveis, como os níveis de produção elevada do açúcar na Índia e Tailândia que contribuíram para derrubar o preço no mercado internacional. E a imprevisibilidade das tarifas gerou uma instabilidade no mundo”, explica Renato, se referindo as mudanças que ocorreram nas taxas de importação do produto nos Estados Unidos.
Além de tarifa, redução de sacarose
Além do preço do açúcar cair no mercado internacional, houve uma redução da sacarose da cana-de-açúcar nesta safra no Nordeste provocada por causa do clima mais seco em alguns períodos. Isso significa uma safra com menos produtos.
“Agora, a nossa expectativa é de que antes de outubro anunciem a cota americana para o ano fiscal de 26/27 nos Estados Unidos. Esperamos construir um caminho para trabalhar com previsibilidade”, comenta Renato.
Imprevisibilidade nas taxas para exportar aos EUA em 2025
Renato argumenta que a imprevisibilidade das taxas é ruim para exportações, que são programadas com antecedência e precisam de previsibilidade. Até março de 2025, a tarifa de importação cobrada nos Estados Unidos era zero para o açúcar exportado dentro da cota americana. Em abril do ano passado, entrou em vigor uma tarifa de 10% sobre este tipo de exportação. E em agosto último, entrou em vigor o tarifaço de Trump que colocou uma taxação de 40% para vários produtos que o Brasil exporta para os Estados Unidos, incluindo o açúcar da cota americana, totalizando 50% de taxa de importação.
Inicialmente, chegou a se cogitar que a cota americana ficaria de fora do tarifaço de Trump, mas isso não se concretizou.
Na sexta-feira (20) da semana passada, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu, que o “tarifaço” imposto pelo presidente Donald Trump era ilegal porque ele ultrapassou sua autoridade ao basear as sobretaxas em uma lei de emergência, a International Emergency Economic Powers Act (IEEPA, na sigla em inglês). Com essa determinação, a taxação para as importações voltou a ficar em 10%.
No entanto, logo depois Trump anunciou que a tarifa de importação geral dos Estados Unidos ficaria em 15% se baseando em outra lei, a Seção 122 da Lei do Comércio de 1974. Não há data oficial para os 15% entrarem em vigor. O que está sendo cobrado, pelos Estados Unidos, em geral, é uma tarifa de importação de 10% que entrou em vigor na terça-feira (24) para todos os produtos não cobertos por isenções.
Fonte: Movimento Econômico