Setor de biocombustíveis tem amplo potencial de expansão em 2026

País domina tecnologias de produção e lidera cultivo de commodities utilizadas pelo setor — Foto: Solen Feyissa/Unsplash

2025 terminou com a sensação de que a substituição gradual dos combustíveis fósseis por alternativas renováveis passou a ser encarada como política pública no Brasil. O ano que se encerrou marcou, por exemplo, o primeiro aniversário da lei do Combustível do Futuro, a realização da COP 30, em Belém, a elevação da mistura de biocombustíveis à gasolina e o anúncio de novos projetos de usinas de etanol de milho.

Diante desta agenda, novos investimentos são aguardados em diversos segmentos, do biodiesel, passando pelo etanol de milho, biometano, chegando a combustíveis sustentáveis de aviação, e assim por diante, diz nota do “AgFeed”.

O próximo passo da lei do Combustível do Futuro é o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel, dos atuais 15% para 16%, o chamado B16, previsto para acontecer em março.

Se no biodiesel o movimento agora é de consolidação a partir da nova legislação de incentivo aos biocombustíveis, o etanol de milho continua sendo alvo de um verdadeiro boom de projetos em diferentes regiões do país, com ritmo acelerado de anúncios de novas usinas.

Hoje, o Brasil conta com 24 usinas de etanol de milho em operação. Além disso, outros 16 projetos já possuem autorização para construção concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis, enquanto outras 16 unidades ainda se encontram em fase de projeto, segundo dados da União Nacional do Etanol de Milho (Unem).

Os números de usinas operando e unidades ativas deve crescer ao longo de 2026, quando grandes players do setor como FS e Inpasa, além da cooperativa de produção Coamo, a maior do Brasil, devem iniciar a operação de novas usinas de etanol de milho que estão sendo erguidas no momento.

Já no etanol de cana, o nível de produção recuou na safra 2025/2026, alcançando 24,1 bilhões de litros produzidos, queda de 10,1% em relação à temporada anterior, segundo dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) compilados pelo Itaú BBA. O ciclo foi menos produtivo e também houve uma preferência por um mix mais açucareiro.

Estimativas indicam que a produção de etanol cresça 9,6% ao longo da próxima safra em relação à temporada anterior, totalizando 36,8 bilhões de litros. Destes, 26,1 bilhões correspondem ao etanol de cana (alta de 8,4%) e 10,8 bilhões de litros ao etanol de milho (alta de 12,6%). Na cana, há ainda a expectativa com oportunidades de novos negócios despontando em combustíveis sustentáveis de aviação (SAF).

Fonte: AgFeed