A combinação de seca intensa, avanço do El Niño e custos elevados de fertilizantes está comprometendo a produção de cana-de-açúcar na Índia, segundo maior produtor e maior consumidor mundial de açúcar. As perdas nas lavouras aumentam as preocupações com a oferta global e contribuem para a valorização das cotações internacionais da commodity.
O país enfrenta sua pior temporada de monções em 11 anos, com chuvas insuficientes e temperaturas elevadas nas principais regiões produtoras. Em Marathwada, no oeste indiano, agricultores relatam prejuízos expressivos, com estimativas individuais de perdas que chegam a 70% da produção de cana.
A crise ocorre em um momento de aumento dos custos de fertilizantes, combustíveis e alimentos, agravando o endividamento dos produtores e reduzindo a capacidade de investimento nas próximas safras. Além dos impactos sobre o mercado internacional de açúcar, a redução da safra indiana pode comprometer a estratégia do país de ampliar a produção de etanol e diminuir a dependência de petróleo importado.
A cana-de-açúcar é uma das principais matérias-primas utilizadas na fabricação do biocombustível. Com menor disponibilidade, aumenta a disputa pelo direcionamento da produção entre açúcar e etanol. Diante das dificuldades de abastecimento, a Índia, tradicional exportadora de açúcar, passou a recorrer às importações, ampliando a pressão sobre o mercado internacional. A alta dos preços também provocou protestos e levou o governo a intensificar o acompanhamento dos estoques comerciais.
Para o mercado sucroenergético brasileiro, as dificuldades da Índia reforçam os riscos de restrição na oferta mundial de açúcar, especialmente em um momento em que o Centro-Sul do Brasil também enfrenta atrasos na colheita e na moagem devido ao excesso de chuvas.
A continuidade do El Niño em 2027 poderá prolongar os impactos sobre a produtividade agrícola, mantendo o clima como um dos principais fatores de influência sobre os preços internacionais do açúcar e sobre a disponibilidade de matéria-prima para a produção de etanol.
Fonte: Brasil Agro – Veja na íntegra aqui