SCA Brasil analisa na J.P. Morgan perspectivas para o mercado de biodiesel

A estrutura do mercado brasileiro de biodiesel, a dinâmica de formação de preços e as perspectivas para a próxima safra estiveram no centro de uma reunião da SCA Brasil na J.P. Morgan. Entre os principais temas discutidos, destacaram-se a elevada capacidade ociosa da indústria, a consolidação do setor e os possíveis impactos de um novo aumento da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel.

Filipe Cunha, head comercial Biodiesel na SCA Brasil, analisou a concentração da produção e da distribuição, além da predominância de contratos bimestrais, característica que limita a liquidez do mercado à vista. Na formação de preços, o biodiesel mantém forte correlação com o óleo de soja, sendo influenciado diretamente pelas condições de oferta, demanda e margens de esmagamento do complexo soja.

B17 pode mudar o equilíbrio do mercado

Entre os destaques e as tendências estruturais, foram discutidos o avanço da consolidação industrial, por meio de aquisições, e o crescimento da integração vertical, com fabricantes de biodiesel investindo em capacidade própria de esmagamento de soja.

Apesar desses movimentos, a indústria brasileira continua operando com elevada capacidade ociosa, situação que tende a persistir diante de novos projetos de expansão associados às expectativas de aumento da mistura obrigatória. Nesse contexto, a possibilidade de avanço para o B17, defendida por associações de produtores, ganha relevância.

A reunião também abordou o andamento dos testes com motores para misturas superiores ao B15. Um eventual aumento do percentual obrigatório poderia ampliar a demanda doméstica, absorver parte da capacidade disponível e contribuir para a recuperação das margens industriais.

Na análise da SCA Brasil, as margens devem continuar pressionadas no curto prazo. Para os próximos dois bimestres, a perspectiva discutida permanece de margens pressionadas para os produtores de biodiesel.

“Já para a próxima safra, a recuperação dependerá principalmente de dois fatores: a eventual elevação da mistura obrigatória e o comportamento do complexo soja, especialmente os preços e a disponibilidade de óleo de soja e a evolução das margens de esmagamento”, comenta Cunha

A avaliação apresentada na reunião reforça que o avanço regulatório e as condições de mercado da soja serão determinantes para o equilíbrio entre oferta, demanda e rentabilidade da indústria brasileira de biodiesel em 2027.

Foto crédito: Divulgação – Filipe Cunha, head comercial de Biodiesel da SCA Brasil, à esquerda; Lucas Ferreira, analista sênior do J.P. Morgan, ao centro; e Martinho Ono, CEO da SCA Brasil, à direita.