
Sanções dos Estados Unidos e da UE sobre fertilizantes russos podem ter um impacto econômico prejudicial muito além da Europa, inclusive dentro do país mais rico do mundo, diz nota da “Forbes”. Nesta agenda, o debate europeu sobre sanções a fertilizantes russos tem impacto direto e mensurável para o Brasil.
Importamos cerca de 85% dos fertilizantes que consumimos, e a Rússia figura de forma recorrente como principal fornecedor individual, especialmente de cloreto de potássio, insumo no qual a produção doméstica é limitada.
Em anos recentes, as importações brasileiras de fertilizantes de origem russa oscilaram entre US$ 3 bilhões e US$ 4,5 bilhões ao ano (entre R$ 15,8 bilhões e R$ 23,7 bilhões na cotação atual), representando algo entre um quarto e um terço do total comprado pelo país no mercado externo.
Essa dependência tem efeitos diretos sobre o custo de produção agrícola. Fertilizantes respondem por 20% a 40% dos custos variáveis de culturas como soja, milho, café e cana-de-açúcar, conforme a região e o sistema produtivo. Em momentos de choque geopolítico, como ocorreu após o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, o encarecimento desses insumos foi rapidamente repassado ao produtor, comprimindo margens e pressionando decisões de plantio.
Em escala macroeconômica, o aumento dos custos no campo se traduz em pressão inflacionária sobre alimentos, perda de competitividade das exportações e maior sensibilidade do agro brasileiro a movimentos externos sobre os quais o país tem pouco controle.
Fonte: Forbes