
Em um quadro inicial de pressão sobre os preços do açúcar, a safra de cana 2026-2027 começa oficialmente agora em abril, com tendência de um mix mais alcooleiro entre as usinas do Centro-Sul e consequente maior oferta de etanol, além da expectativa de formação, cada vez mais iminente, de uma nova ocorrência do fenômeno climático El Niño.
Este foi o cenário traçado na 18ª edição da série de lives “Conexão SCA Brasil”, realizada nesta quarta-feira (04/03). O programa, que teve transmissão ao vivo no YouTube e Linkedin, contou com a participação do CEO da SCA Brasil, Martinho Seiiti Ono; do meteorologista da Tempo OK, Celso Luís de Oliveira; e do analista de mercado da Pecege Consultoria e Projetos, Raphael Delloiagono.
Na oportunidade, Ono apresentou projeções da SCA Brasil para o novo ciclo, considerando variáveis de área colhida – entre 8,1 e 8,3 milhões de hectares – e rendimento dos canaviais entre 77 a 78 toneladas por hectare respectivamente, avanços de 2,3% e 3,6%. Diante destes números, estima-se um volume de moagem entre 624 e 647 milhões de toneladas de cana para a temporada 2026-2027, contra a previsão de 610 milhões para o fechamento da safra atual, que se encerra no final do mês.
A produção de açúcar tem previsão de se situar entre 39,8 e 42,1 milhões de toneladas, enquanto as vendas mensais de etanol, somados o anidro e o hidratado, devem crescer de 5 a 10% em relação à média da safra anterior. “Projetamos um recuo no mix de produção de açúcar das usinas do Centro-Sul de 51% para uma margem entre 47,5% e 48,5%”, assinalou Ono.
Índice de vegetação positivo
Em sua exposição, Raphael Delloiagono destacou as boas condições de saúde vegetativa dos canaviais, acima do registrado em igual data do ano passado em importantes polos produtivos: norte de São Paulo, Triângulo Mineiro e sul do estado de Goiás.
O especialista listou projeções em linha com as estimativas da SCA Brasil. Assim, de acordo com o Pecege, o processamento de cana tem potencial para atingir cerca de 628 milhões de toneladas, com uma produção de açúcar na casa das 40 milhões de toneladas. Para o etanol, Delloiagono citou que o volume do biocombustível fabricado a partir da cana deve registrar aumento de 2,5 bilhões de litros frente à temporada 2025-2026, e que, no caso, do proveniente do milho o incremento deve chegar a um bilhão de litros na mesma base comparativa.
Ono observou que o rápido crescimento na produção de etanol de milho nos últimos anos, que deve aumentar a oferta total do biocombustível em cerca de 3,5 a 4 bilhões de litros no mercado doméstico a partir da safra 2026-2027, traz desafios em relação à vazão do produto. “É preciso ampliar o consumo do etanol, democratizar, começando sobretudo pelo acesso ao hidratado, em regiões que, até bem pouco tempo, não tinham oferta do biocombustível feito a partir da cana, e que de alguns anos para cá passaram a produzir tendo os grãos como matéria-prima. Falo, por exemplo, do Sul e estados do Nordeste.”
El Niño vem aí
De acordo com Celso de Oliveira, modelos meteorológicos já indicam nova ocorrência do aquecimento das águas do Pacífico conhecido como El Niño, fenômeno climático que interfere no regime de chuvas e nas temperaturas, com potencial para impactar o desenvolvimento dos canaviais na safra 2026-2027.
“Observamos uma tendência de aceleração rápida na formação do El Niño, que via de regra acarreta em mais chuvas na região Sul e seca no Norte-Nordeste”, pontuou o meteorologista, acrescentando que, “até o momento, o indicativo é de uma intensidade de fraca a moderada, com os efeitos começando a ser notados a partir de maio, ganhando força no segundo semestre com probabilidade de se estender até o início de 2027”.
Segundo ele, a previsão é de temperaturas mais elevadas do que o normal. “Maio ainda deverá ser seco, o que favorecerá o início da colheita. No começo do inverno, final de junho e início de julho, deveremos ter maiores volumes de precipitações no Paraná, Mato Grosso do Sul e Norte de São Paulo associadas à chegada de frentes frias, o que pode dificultar os trabalhos de retirada da cana do campo.”
Transmitidas ao vivo pelos canais da SCA Brasil no YouTube e no LinkedIn, as lives da série ‘Conexão SCA Brasil’ foram criadas para explorar assuntos de destaque no contexto do agronegócio nacional, com prioridade para temas próximos dos combustíveis renováveis e das compras corporativas em grupo, principais áreas de atuação da SCA Brasil.
Agendas transversais e de ampla relevância para o agro também são contempladas, sempre com analistas convidados de reconhecida competência. Além do YouTube e do LinkedIn, todas as edições da série também estão disponíveis em formato de podcast com imagens, na página da série na plataforma Spotify.
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